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Fiocruz e FCT consolidam cooperação com Universidade de Coimbra e Universidade de Paris VIII

Entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, representantes da Fiocruz, do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) e do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) participaram de uma série de atividades junto às Universidade de Coimbra e Paris 8 com o objetivo de fortalecer a Rede Ibero-Americana de Territórios Sustentáveis, Desenvolvimento e Saúde.

Com a finalidade de consolidar a troca de experiências realizadas entre a Rede Ibero-Americana de Territórios Sustentáveis, Desenvolvimento e Saúde (RIA-TSDS), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) e as Universidades de Coimbra e de Paris VIII, representantes de todas essas instituições se encontraram nas cidades de Coimbra e Paris. A missão é fruto de quase uma década de cooperação e visa expandir a promoção de Territórios Sustentáveis e Saudáveis (TSS) na África, na Europa e na América Latina.


“Fizemos uma rodada de dois dias com a Universidade de Coimbra e com a Universidade de Paris 8. Trabalhamos objetivos e passos que temos que dar para fazer com que a proposta de constituição da Universidade Cooperativa Internacional (LUCI) e também o Fórum Internacional de Comunidades Tradicionais, cujo nome ainda vai ser trabalhado, possam dialogar entre si”, explica Guilherme Franco Neto, Coordenador da Agenda de Saúde, Ambiente e Sustentabilidade da Fiocruz e Secretário Executivo da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030.


“Nossa viagem foi feita também com o objetivo de estabelecer parcerias e objetivos de sustentabilidade para este fórum que estamos construindo a partir da Rede Ibero-americana de Territórios Sustentáveis e Saudáveis, e que estamos ampliando agora para a África e outros países da Europa”, completa Edmundo Gallo, pesquisador titular da Fiocruz e um dos coordenadores gerais do OTSS.


Ecologia de Saberes


Em julho, durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a Fiocruz e o FCT receberam, por meio da Casa dos Povos, parceiras e parceiros de sete países para discutir a criação de uma rede internacional capaz de potencializar a reaplicação de tecnologias sociais que contribuam para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU em territórios tradicionais. Segundo Vagner Nascimento, coordenador geral do OTSS e do FCT, este encontro foi importante para estabelecer pontes entre pesquisadores acadêmicos e lideranças comunitárias, fortalecendo as pontes entre saber científico e saber tradicional.


“Estamos já há um tempo na construção dessa articulação, e estamos também organizando um fórum internacional que dialoga com as instituições de ensino e com as lideranças das comunidades tradicionais. O objetivo central é consolidar essa rede de troca de experiências na lógica da ecologia de saberes, fortalecendo uma rede e mostrando como atuamos no OTSS para que nossa experiência possa ser reaplicada em uma escala maior”, explica.


Universidade entre os continentes


“A ideia desta universidade é exatamente ser um espaço que coloca o conhecimento tradicional como relevante para a construção de boas práticas para os territórios. De fato, darmos visibilidade ao conhecimento tradicional através dessa universidade e, por outro lado, proporcionar formação, investigação e inovação”, explica Helena Freitas, professora e pesquisadora da Universidade de Coimbra. A busca dessa parceria criou um plano de trabalho para que essa universidade passe a existir como forma de intercambiar os saberes acadêmicos e tradicionais em nível internacional, criando também redes entre povos da África e da América Latina.

A pesquisadora conta também que o projeto da Universidade Colaborativa Internacional Livre (LUCI) pretende se estruturar em programas de formação que respondam às demandas acadêmicas ajustadas às comunidades tradicionais. Isso tudo, em busca de fomentar processos de pesquisa que sejam de fato relevantes para os povos e comunidades tradicionais. “Como buscar soluções ecológicas para o tratamento de resíduos, para a economia circular, para a agroecologia, que tenham também essa matriz de sustentabilidade e a inovação, em particular para que o conhecimento transferido para a sociedade, para a comunidade que em conjunto construirmos, seja utilizado para conseguirmos mais qualidade de vida e bem-estar das comunidades”, finaliza.


Fortalecer as trocas nos territórios internacionais


“Tenho estado envolvida no acompanhamento do projeto do OTSS Bocaina desde 2013. Portanto, temos procurado realizar projetos em conjunto no sentido de aprofundar a proposta junto às comunidades tradicionais”, conta Helena Freitas. Ela relata que, durante os anos em que acompanha o trabalho desenvolvido pela Fiocruz em parceria com o Fórum de Comunidades Tradicionais, vê a intensa troca e possibilidade de tornar os saberes produzidos como ferramentas de inspiração para a promoção de territórios sustentáveis e saudáveis.


“As contribuições são muito interessantes na medida em que podemos perceber que, apesar de termos especificidades sociais, políticas, econômicas e culturais, conseguimos respeitar a característica de cada um dos territórios onde desenvolvemos trabalho, seja a Bocaina no Brasil ou sejam nos territórios que abrigam a arte xaveva em Portugal ou a produção agroecológica de diversos países europeus. Temos diversas preocupações idênticas, e por isso é tão gratificante partilhar essas experiências, que nos ajudam a avançar mais e melhor”, pondera também Fátima Alves, investigadora do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra que participou das agendas de cooperação.


“Foi uma oportunidade de partilharmos preocupações e objetivos comuns e avançarmos na necessidade de criar novos conceitos, novas metodologias de trabalho e investigação que considerem os elementos humanos e não humanos na sua equação e que não reproduzam as lógicas existentes que impõem modos de pensar e agir neocolonialistas e neocapitalistas. A experiência com o OTSS e o FCT ilustra bem estas preocupações e avança na criação de respostas ajustadas aos contextos e as especificidades locais”, completa Helena Freitas.


“O Território Pulsa” atravessa o atlântico


A obra que conta a história das experiências desenvolvidas pelo OTSS também integrou a agenda internacional das redes de cooperação. No dia 25 de setembro o livro “O Território Pulsa” foi lançado Universidade Aberta do Porto, em Portugal, representando o Brasil e a Fiocruz no "Seminário Internacional - Mundo Sócio-Ecológico: Múltiplos Saberes e Práticas".


A obra assinada por 37 autores compartilha os saberes, os processos de aprendizagem e as formas de atuação construídos com base na experiência do OTSS, uma parceria de dez anos entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Fórum de Comunidades Tradicionais de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba (FCT). “O livro foi considerado um marco importante da nossa produção, que sintetiza os nossos anos de trabalho e é algo que dará um apoio teórico e prático para as experiências que queiram trabalhar com nossos referenciais teóricos e práticos. Foi muito bem recebido”, salienta Edmundo Gallo, co-autor do livro.


Para fazer o download gratuito do livro “O território Pulsa”, clique aqui.






Texto: Vanessa Cancian/ Comunicação OTSS

Edição: Vinícius Carvalho/ Comunicação OTSS

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