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Comida, territórios e articulações em redes fizeram o Barracão Agroecológico e Cultural


Na manhã de 24 de novembro, quarto e último dia de evento, os atores que construíram o “Encontro de Diálogos e Convergências Saúde e Agroecologia” se reuniram em três grupos para avançar na construção de agendas específicas dentro dessa pauta. Fiocruz, Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e a ABA-Agroecologia construíram diálogos paralelos na busca de dar encaminhamentos aos momentos vivenciados durante os dias de evento.

Enquanto essas três plenárias finais foram realizadas, representantes da Associação de Moradores do Quilombo do Campinho (Amoqc), do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) e agricultoras e agricultores e erveiras da região começaram a preencher o Barracão Agroecológico e Cultural com seus produtos, sementes crioulas e mudas.

Dentro de cada área de atuação, os grupos puderam realizar uma avaliação geral dos passos caminhados até aqui e as propostas futuras para tais instituições. Ademais, as redes construídas e reforçadas durante o evento que se encerrava foram apontadas como fundamentais para seguir na luta pela promoção do bem viver por meio da difusão do alimento agroecológico e tudo que ele reverbera na vida da população.

A programação continuou com o lançamento do livro “Campo, Floresta e Águas – práticas e Saberes em Saúde” que a comunidade do quilombo do Campinho participou protagonizando a escrita de um capitulo que tratou sobre as análises da qualidade da água no seu entorno.

Antes de finalizar, as anfitriãs e os anfitriões, quilombolas do Campinho foram chamados para finalizar o encontro. “Nós do quilombo do Campinho ficamos honrados por termos recebido em nosso território esse encontro. Nós acreditamos na luta pela agroecologia e é o que vivemos aqui”, pontuou Sinei Martins, presidente da Amoqc. “Também tenho que agradecer todas essas mulheres que cozinharam, aquelas que começaram a história desse restaurante com todos nós. Era só um sonho e com muita luta conseguimos realizar. Isso sem falar dos nossos mais velhos, agricultoras e agricultores que colocam a mão na terra para que a gente tenha alimentos”, completa.

A comissão organizadora, por meio de André Búrigo Campos da ENSP/Fiocruz deixou as palavras de agradecimento a todos aqueles que contribuíram para que o encontro acontecesse e especialmente à comunidade quilombola do Campinho. Foi entregue nas mãos das mulheres da comunidade, uma placa de agradecimento em nome do evento reforçando a importância do trabalho que é executado naquele espaço.

Depois dessas falas, todos puderam apreciar a feijoada do quilombo e o grupo cultural também dali, Bohemia do Samba.

Nas mãos das mulheres quilombolas, a comida luta e resiste

Os 4 dias de evento acolheram os participantes que chegaram de todas as regiões do Brasil com a culinária quilombola do Restaurante do Quilombo. Cafés da manhã, lanches, almoços e jantares deliciosos foram preparados aos montes para alimentar as cerca de 150 pessoas que passaram pelo encontro. Mas, a comida servida pelas mulheres do Campinho fala muito mais do que o sabor maravilhoso que aguçou o paladar de todas e todos. O alimento colocado nas mesas do evento trouxe muito da história da luta pela terra, a resistência do povo quilombola e negro por construir uma marca e a verdade de contemplar as/os agricultoras/es da própria comunidade e toda uma rede de produtoras/res agroecológicos do entorno. Quem se alimentou ali pode sentir o amor das guerreiras que passaram dias atrás dos fogões fazendo uma comida que tem gosto de história e de luta.

Texto: Vanessa Cancian Fotos: Eduardo Napoli Editoração Eletrônica: Eduardo Napoli

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