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Congresso Luso-Afro-Brasileiro abre inscrições para trabalhos sobre artes e saberes

Fiocruz e OTSS participam da coordenação do GT76, cujo tema é “Sócio-ecologias capitalistas e para além delas: questões perturbadoras para os múltiplos saberes e poderes”. Inscrições terminam no dia 31 de dezembro de 2019.



O XIV Congresso Luso-Afro-Brasileiro (CONLAB) e 3º Congresso da Associação Internacional de Ciências Sociais e Humanas de Língua Portuguesa ocorrerá em 2020, ano em que se celebram 30 anos do primeiro encontro que reuniu investigadoras/es do espaço luso-afro-brasileiro, a que mais tarde se juntou Timor-Leste. O congresso terá lugar entre 2 e 4 de setembro de 2020, em Coimbra, Portugal, sob o lema "Utopias pós-crise. Artes e saberes em movimento".


Neste congresso, o desafio fundamental remete para a possibilidade e a necessidade de identificar, através das artes e saberes em movimento, instrumentos que permitam o confronto e a ultrapassagem dos desafios associados às recorrentes situações de conflito, discriminação e desigualdade que marcam as sociedades contemporâneas em todo o globo.

O tema escolhido convoca várias disciplinas e vários saberes: da sociologia e das relações internacionais à arquitetura, economia, história, ciência política, estudos de gênero ou ambientais, para citar apenas alguns. Participarão pesquisadores de países de língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste


Propostas de trabalho


As propostas de trabalhos para apresentação nos Grupos de Trabalho podem ser feitas por meio do site http://ailpcsh.org/conlab2020/. A Fiocruz e o FCT, por meio do OTSS, aparecem representadas na coordenação do GT76, cujo tema é “Sócio-ecologias capitalistas e para além delas: questões perturbadoras para os múltiplos saberes e poderes”.


“As alterações climáticas e outros problemas sócio-ecológicos contemporâneos perturbam significativamente as práticas cotidianas coletivas que geram, mantêm e permitem conhecer o modelo sócio-ecológico moderno ocidental capitalista dominante. O potencial catastrófico destes problemas para todas as expressões da vida planetária, bem como a celeridade com que se agravam, tornam necessária a reflexão sobre as múltiplas e interdependentes interações que sustentam este modelo sócio-ecológico”, destaca a chamada do GT assinada por Fátima Alves e João Aldeia, professores do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra; Edmundo Gallo, pesquisador titular da Fiocruz e coordenador do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis (OTSS); e Karine WlasenKo Nicolau, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso.


Mais informações pelo email conlab2020@ces.uc.pt.

Enquadramento do GT76:


"As alterações climáticas (AC) e outros problemas sócio-ecológicos contemporâneos perturbam significativamente as práticas quotidianas colectivas que geram, mantêm e permitem conhecer o modelo sócio-ecológico moderno ocidental capitalista dominante. O potencial catastrófico destes problemas para todas as expressões da vida planetária, bem como a celeridade com que se agravam, tornam necessária a reflexão sobre as múltiplas e interdependentes interacções que sustentam este modelo sócio-ecológico, sobretudo, sobre aquelas suas características cuja aceitação acrítica e irreflexiva, habitualmente, remete para o campo da doxa, assim obstaculizando processos de transformação societal, ecológica e epistémica fundamentais.


Um dos momentos primordiais desta reflexão é a problematização da divisão cartesiana entre Sociedade e Natureza em que se sustenta a sócio-ecologia moderna ocidental capitalista. A crítica re-flexiva desta dicotomia revela-a como uma partição analítica apriorística que condiciona todas as linhas de visibilidade, enunciação, força e subjectivação delas decorrentes. Contudo, ela não tem correspondência na praxis quotidiana quando esta é considerada em toda a sua multiplicidade espacial e temporal. Antes, na praxis, a distribuição de elementos vitais nestas esferas da vida é permanentemente produzida através dos processos interaccionais concretos que decorrem em cada espaço-tempo em que diferentes formas de sociedade e natureza são geradas e, dinâmica e contextualmente, hierarquizadas.


A reflexão crítica sobre a divisão cartesiana abre a porta a uma maior atenção à miríade de processos interaccionais entre múltiplos elementos vitais, tornado crucial compreender como estes se inter-relacionam de forma reticular, contingente, precária e dinâmica. Contra a posição cartesiana, o mundo não está ali, estático, espe-rando ser conhecido na sua essência e verdade através dos métodos de investigação mais adequados. Antes, as múltiplas ontologias e realidades espácio-temporalmente localizadas dos nossos mundos comuns são feitas, refeitas e desfeitas de forma continuada pela ação articulada de todos os elementos vitais, conferindo à vida uma riqueza ontológica significativa que a sócio-ecologia moderna ocidental capitalista é incapaz de compreender.


O(s) campo(s) aberto(s) à reflexão crítica pelo primeiro momento de rejeição da divisão cartesiana são, potencial-mente, infinitos. Mas a sua conjugação abana os alicerces aparentemente tão sólidos da sócio-ecologia moderna ocidental capitalista. Talvez daqui se siga a ruptura dessas fundações; talvez estas tenham flexibilidade para se adaptarem e mudarem (novamente) de forma sem um afastamento fundamental da sua genealogia. Mas, num caso ou noutro, o abalo carece de discus-são alargada, pelo menos, nos seguintes tópicos.


1. A transformação metodológica necessária para estudar as interações entre elementos vitais e as diferentes formas de sociedade e de natureza que estas geram.


2. As responsabilidades morais entre humanos e extra-humanos.


3. O alargamento conceptual do biopoder, necessário para dar conta da existência e acção dos elementos vitais extra-humanos nos diversos processos de governo da vida.


4. O esverdear do capitalismo como processo de extensão de dinâmicas mercantis à totalidade dos problemas sócio-ecológicos e das suas soluções, acentuando a mercantilização de todas as expressões a vida planetária.


5. O papel dos estudos sociais na compreensão e combate às AC e outros pro-blemas sócio-ecológicos.


6. O lugar da inter-multi-trans-disciplinaridade intra-académica e dos diálogos com outros mundos da vida (as artes, as religiões, etc.) na produção de conhecimento sócio-ecológico e na definição de caminhos para a acção transformativa.


7. As relações de saber-poder que estão em jogo no negacionismo das AC.


8. Os recentes movimentos de jovens em prol do combate às AC.


9. O catastrofismo e a esperança nos diferentes imaginários do futuro sócio-ecológico. 10. Consequências dos problemas ecológicos para a saúde humana."

Coordenação: Fátima Alves (Universidade Aberta e Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra); João Aldeia (Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra); Edmundo Gallo (FIOCRUZ); Karine WlasenKo Nicolau (Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso)


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