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Fiocruz, FCT, UFF e Unesp promovem Caravanas do Bem Viver em territórios tradicionais de RJ e SP

Atualizado: 28 de set. de 2022



Com o objetivo de ampliar atuação articulada e fortalecer as comunidades tradicionais em seus territórios, diversos movimentos e instituições iniciaram, em junho de 2022, uma série de caravanas por comunidades caiçaras, indígenas e quilombolas de sete municípios do litoral sul do Rio de Janeiro e do litoral norte de São Paulo. A primeira edição das Caravanas do Bem Viver ocorreu entre os dias 20 e 24 de junho, em Angra dos Reis (RJ), e a próxima está marcada para ocorrer entre os dias 06 e 09 de dezembro em São Sebastião (SP) e Caraguatatuba (SP), com a realização de lançamentos, encontros, partilhas e oficinas em diferentes espaços e comunidades tradicionais.

Idealizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) por meio do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), as Caravanas do Bem Viver são realizadas em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp). Também apoiam as caravanas instituições como a Comissão Guarani Yvyrupá (CGY), Fiotec, Petrobras, Ibama, Rede Nhandereko e o Programa Institucional de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Fiocruz, o PITSS.


“A realização das Caravanas do Bem Viver é uma estratégia fundamental para a nossa aproximação ainda maior ao território. Além disso, ela responde a uma demanda estratégica da Fiocruz, definida em seu Plano Plurianual, que é de aproximar a instituição dos movimentos sociais e aprofundar, com eles, as discussões sobre desenvolvimento e sustentabilidade”, explica Edmundo Gallo, Pesquisador Titular da Fiocruz e Coordenador Geral do OTSS.


Ao todo, as Caravanas do Bem Viver passarão por sete municípios: Angra dos Reis, São Sebastião e Caraguatatuba, Mangaratiba, Ilhabela e Paraty e Ubatuba. O percurso culminará com a realização, em 2023, do 1º Encontro Internacional de Territórios e Saberes, evento que reunirá pesquisadores e lideranças comunitárias de diversos países para a articulação de estratégias conjuntas para a promoção de Territórios Sustentáveis e Saudáveis (TSS) por meio do diálogo entre saberes científicos e tradicionais.


Outro destaque será a passagem da Caravana do Bem Viver pela sede da Fiocruz, na cidade do Rio de Janeiro, em data ainda a definir. Na ocasião, trabalhadoras e trabalhadores da instituição poderão interagir com pesquisadores acadêmicos e comunitários do OTSS para avançar na construção de parcerias para a promoção da saúde e do desenvolvimento sustentável no contexto de povos e comunidades tradicionais.


Caravanas passarão por 7 municípios que integram a área de atuação do OTSS (Fiocruz/FCT), da UFF e da Unesp no contexto do Projeto Redes, iniciativa que visa contribuir para a permanência das comunidades em seus territórios.

Sobre as Caravanas


Inspiradas nas lutas do povo em suas romarias e caminhadas, as caravanas ocorrem Brasil afora nos mais variados formatos e objetivos. Em geral, envolvem metodologias de mobilização baseadas em ações territorializadas e organizadas em diferentes rotas, o que permite a realização de atividades simultâneas que se complementam e convergem entre si.


No caso da Fiocruz e do Fórum de Comunidades Tradicionais de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba (FCT), as Caravanas do Bem Viver se colocam também como uma resposta à ampliação da equipe e das ações do OTSS desde 2020, quando a organização se tornou um programa institucional da Fiocruz e ampliou sua atuação para um total de sete municípios: Mangaratiba (RJ), Angra dos Reis (RJ), Paraty (RJ), Ubatuba (SP), Caraguatatuba (SP), São Sebastião (SP) e Ilhabela (SP).


“A Caravana do Bem Viver é um movimento de atividades que se enraízam nas comunidades tradicionais. É um pé do OTSS, da Fiocruz, do FCT, da UFF e da Unesp nos lugares mais simbólicos em luta política, organização sociocultural e socioambiental comunitária, para o desenvolvimento sustentável e o bem viver da região. Este evento vai ser um momento de fortalecimento do Fórum de Comunidades Tradicionais e vamos consolidar planos coletivos para o avanço na garantia de direitos das comunidades tradicionais”, explica Marcela Cananéa, coordenadora de Justiça Socioambiental do OTSS, secretária-executiva do FCT e liderança da Coordenação Nacional de Comunidades Tradicionais Caiçaras (CNCTC).


"Nossa participação se dá em função da afirmação de nossa ação territorializada com o intuito de fortalecer ações educativas, de produção de conhecimento e de extensão e de contribuir com uma proposta de desenvolvimento territorial baseada no diálogo de saberes entre as comunidades tradicionais e o conhecimento acadêmico. Nesse sentido, a universidade também se faz presente para além dos muros dos seus campi", completa Davis Gruber Sansolo, professor da Unesp.


A próxima edição das Caravanas do Bem Viver ocorre nos municípios de São Sebastião e Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, entre os dias 06 e 09 de dezembro. Entre as atividades previstas, estão, entre outras, uma partilha envolvendo a pesca e a maricultura, uma roda de conversa sobre turismo de base comunitária, uma ação formativa na área de saneamento ecológico, o lançamento de uma estratégia de protocolo de consulta para a pesca artesanal e a entrega oficial para o Ministério Público do Mapa de Conflitos Socioambientais do FCT, o qual já registrou mais de 50 impactos decorrentes de grandes empreendimentos em comunidades tradicionais de São Sebastião (SP) à Baía da Ilha Grande (RJ).


A programação completa, ainda em construção, será divulgada nas redes e no site do OTSS (www.otss.org.br).


Abertura das Caravanas do Bem Viver em Angra dos Reis



A primeira edição da Caravana do Bem Viver ocorreu, em Angra dos Reis (RJ), entre os dias 20 e 24 de junho. Em diversos momentos, as atividades dialogaram com a Romaria da Terra, realizada no Quilombo Santa Rita do Bracuí, e contribuíram na resposta a diferentes demandas que se colocam para a defesa e garantia dos territórios tradicionais.


Entre as atividades realizadas, estiveram o lançamento da Rede de Formação Socioambiental do Projeto Redes; o 3º Encontro de Justiça Socioambiental do FCT; a Reunião Municipal do Projeto Povos; a Oficina de Trabalho sobre Gestão de Riscos de Desastres em Comunidades Tradicionais; a Reunião da Coordenação Político Pedagógica do Projeto Redes; o Encontro de Cultura Guarani e a Partilha de Turismo de Base Comunitária em Ilha Grande. Parte das atividades foi promovida pelos Projetos Redes e Povos, que são medidas exigidas pelo licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama.


"É importante lembrar que a Romaria da Terra é uma caminhada construída há muito tempo pela Comissão Pastoral da Terra e que este foi o primeiro ano em que ela aconteceu em territórios de povos e comunidades tradicionais. A Caravana do Bem Viver vem para fortalecer essa caminhada e desejamos que todas e todos sejam bem vindos para que possamos cada vez mais fortalecer a nossa luta, a nossa cultura e a nossa história", diz Fabiana Ramos, Pesquisadora do OTSS, Articuladora do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) em Angra dos Reis e moradora do Quilombo do Bracuí.


A importância da abertura das caravanas em Angra dos Reis também foi destacada por José Renato, professor da UFF associado ao Instituto de Educação de Angra dos Reis (IEAR/UFF). "As Caravanas favorecem a convergência interinstitucional para que todas essas iniciativas e articulações que já realizamos possam se fortalecer e se integrar em diálogo com nossos parceiros nos municípios. No caso da Caravana de Angra, por exemplo, vale chamar a atenção para a discussão sobre a gestão de riscos e desastres, particularmente importante diante da tragédia ocorrida no município e das discussões sobre o Plano Diretor", destaca.


Sobre o OTSS (Fiocruz + FCT)



Criado em 2009 a partir de uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) é um espaço tecnopolítico de geração de conhecimento crítico, a partir do diálogo entre saber tradicional e científico, para o desenvolvimento de estratégias que promovam sustentabilidade, saúde e direitos para o bem viver das comunidades tradicionais em seus territórios.


Sob a coordenação da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz (VPAAPS) e com o apoio da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec), atua em territórios indígenas, quilombolas e caiçaras de Mangaratiba, Angra dos Reis, Paraty, Ubatuba, São Sebastião, Caraguatatuba e Ilhabela nas áreas de saneamento ecológico, agroecologia, pesca artesanal, turismo de base comunitária (TBC), promoção da saúde, educação diferenciada, justiça socioambiental, cartografia social, incubação de tecnologias sociais e monitoramento territorializado da Agenda 2030.


"É sempre importante o Observatório estar dentro do território das comunidades tradicionais para que possamos fazer boa articulação. E também para mostrar o que já construímos em todos esses anos, o FCT articulado com a Fiocruz, para contribuir com a permanência das comunidades em seus territórios", completa Julio Karay, integrante das coordenações do OTSS, do FCT e Comissão Guarani Yvyrupá (CGY).


Sobre a UFF


Criada em 1960, a Universidade Federal Fluminense atua em 32 municípios do Estado do Rio de Janeiro (RJ). Sua missão é promover, de forma integrada, a produção e difusão do conhecimento científico, tecnológico, artístico e cultural e a formação de um cidadão imbuído de valores éticos que, com competência técnica, contribua para o desenvolvimento autossustentado do Brasil.


Sobre a UNESP


Criada em 1976, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) atua em 24 municípios do Estado de São Paulo (SP). Sua missão é promover a formação profissional compromissada com a qualidade de vida, a inovação tecnológica, a sociedade sustentável, a equidade social, os direitos humanos e a participação democrática, contribuindo para a superação de desigualdades e para o exercício pleno da cidadania.


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1 Comment


Valdemiro de Almeida Pinto Filho
Valdemiro de Almeida Pinto Filho
Jun 14, 2022

Falta ao social brasileiro um sistema financeiro fora do caixa capital, algo referenciado por Maria da Conceição Tavares (1995). O próprio SINAPIR poderia servir de uma base nacional de dados para consolidar um programa de combate a pobreza entre outros. Nesse sistema reunir-se-ia todos os fundos como o FECP, FECAM etc. Falta a academia provocar as bases sociais e as cúpulas governamentais!!!🙄

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