Estratégia TAUS avança em articulações para regularização fundiária de territórios tradicionais
- Juliana Vilas
- há 4 horas
- 3 min de leitura
Com mais de 100 processos já submetidos pela articulação local do projeto, ação é considerada a maior iniciativa de regularização fundiária de territórios tradicionais em volume de pedidos da história do Brasil

A 4ª edição da Caravana do Bem Viver, realizada entre 27 e 29 de abril em Paraty (RJ), promoveu um momento importante na política de regularização fundiária para os Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs). O evento trouxe para o centro da mesa, numa série de debates, o TAUS (Termo de Autorização de Uso Sustentável), instrumento previsto pela Portaria SPU nº 89 de 2010 para garantir o reconhecimento e o direito à permanência de comunidades tradicionais nos territórios costeiros do Brasil.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Secretaria do Patrimônio da União (SPU/MGI), o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS). Com mais de 100 processos já submetidos pela articulação local do projeto, ação é considerada a maior iniciativa de regularização fundiária de territórios tradicionais em área da União, em volume de pedidos, já desenvolvida pelo Estado Brasileiro na história.
"Estamos sempre atentos à Portaria 89 e ao impacto nas comunidades para fortalecer cada vez mais esse instrumento", afirmou Cleide Lúcia Marques Theodoro, Coordenadora de Regularização de Territórios de Povos e Comunidades Tradicionais da SPU/MGI. Segundo a gestora, a expectativa é que o trabalho desenvolvido em parceria com a Fiocruz e o FCT sirva de modelo para replicação em outros territórios do país, especialmente no bioma da Mata Atlântica. Ela também destacou a qualidade técnica dos mais de 100 processos submetidos pela articulação local em parceria com comunidades tradicionais localizadas no litoral sul do Rio de Janeiro e litoral norte de São Paulo.
"Estamos muito atentos à Portaria 89, e a tudo relacionado ao TAUS, para fortalecer cada vez mais esse instrumento nas comunidades."
Cleide Lúcia Marques Theodoro, Coordenadora de Regularização de Territórios de Povos e Comunidades Tradicionais da SPU/MGI
“Para os caiçaras, que não têm marco legal específico como indígenas e quilombolas, o TAUS é uma estratégia para usar os instrumentos disponíveis no direito brasileiro e internacional, como a Convenção 169 da OIT, e garantir a permanência das famílias nos territórios tradicionais. A gente sabe que o TAUS não significa a regularização definitiva que a gente tanto quer, mas é mais um passo para a nossa conquista. O FCT está há 19 anos nessa luta diária, e ninguém faz nada sozinho. Atuamos sempre de forma coletiva e com a nossa rede de parceiros”, completou Marcela Cananéa, Coordenadora Geral do OTSS e integrante dos colegiados de coordenação do FCT e da Coordenação Nacional de Comunidades Tradicionais Caiçaras (CNCTC).
Lançamento de publicação
Durante o evento, foi lançada a publicação Estratégia TAUS para Regularização Fundiária de Comunidades Tradicionais. Organizado por pesquisadores do OTSS, o guia tem caráter inédito e foi escrito em linguagem simples e acessível com o objetivo de descomplicar o processo burocrático de regularização fundiária. “A cartilha tem o objetivo de ser pedagógica, para que todo mundo possa ler, entender e se inteirar. É importante aproveitar essa oportunidade como forma de apoiar um crescimento exponencial da outorga de TAUS em todo o Brasil, para que seja apropriado como ferramenta de luta popular”, diz Bruna Lopes, pesquisadora do OTSS, durante o lançamento da publicação.
A cartilha explica o que é o TAUS, como funciona o processo de solicitação e quais áreas podem ser solicitadas. É organizada em duas partes: a primeira explica conceitos fundamentais sobre regularização fundiária, apresenta as etapas e assessorias oferecidas e mostra a importância dessa articulação para o FCT e para a SPU. A segunda detalha a Portaria 89 e as etapas da solicitação do TAUS. O objetivo da cartilha é ser pedagógica, acessível a todos e servir como ferramenta de luta e defesa do território, além de divulgar os direitos das comunidades tradicionais.
A arte da capa e as ilustrações são do artista caiçara Reginaldo Cuiú Barbosa. Quem assina a diagramação é a designer Chris Rubio e a coordenação editorial é dos pesquisadores Paulo Leonardo Martins, Bruna Lopes e Ricardo Papú Martins. “Essa iniciativa só é possível porque temos um Governo Federal que colocou a SPU para trabalhar não para os grandes proprietários de terra, ou para os especuladores imobiliários, mas para o povo brasileiro, garantindo a democratização do uso dos imóveis da União”, analisou Paulo Leonardo, coordenador da Estratégia TAUS.
Clique aqui e faça download da cartilha TAUS
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