Povos tradicionais lançam aliança inédita em defesa da Mata Atlântica
- Vinícius Carvalho
- há 1 dia
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Neste dia 27 de maio (quarta-feira), data em que se celebra o Dia da Mata Atlântica, representantes de territórios ancestrais se reúnem no Largo São Francisco para o lançamento oficial da Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. O movimento é histórico: trata-se da primeira articulação dos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) organizada de forma unitária para representar e defender o bioma Mata Atlântica, reunindo sete fóruns regionais e a Comissão Guarani Yvyrupa.
A Aliança surge como uma resposta política e cultural à exploração predatória da natureza. Composta por indígenas, quilombolas, caiçaras, caboclos, marisqueiras, pescadores artesanais e povos de terreiro do sul, sudeste e nordeste do Brasil, a frente defende que a conservação da sociobiodiversidade é indissociável da garantia dos direitos territoriais dessas populações.
Integram a aliança as seguintes organizações: Comissão Guarani Yvyrupá (CGY), Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) do Litoral Sul do RJ e Norte de SP, Fórum dos PCTs do Vale do Ribeira, Fórum de PCTs de Sergipe, Fórum de PCTs das Baías Kirimure, Fórum de Pescadores em Defesa da Baía de Sepetiba, Fórum de PCTs de Paranaguá e Fórum de PCTs de Guaraqueçaba.
O lançamento, que ocorre às 14h na Sala dos Estudantes da Faculdade de Direito da USP, em São Paulo (SP), conta com o apoio institucional da Fiocruz por meio do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), um programa institucional da Vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz (VPAAPS) em parceria com o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT).
"As últimas diretrizes do Congresso Interno da Fiocruz têm reforçado a importância de trabalharmos em parceria com movimentos sociais e organizações de representação de Povos e Comunidades Tradicionais. Ao apoiar a constituição e a expansão da Aliança, a Fiocruz não apenas atende a uma diretriz estratégica da instituição, mas contribui decisivamente para a saúde e a conservação do bioma. Esse é o papel de uma instituição de Estado como a Fiocruz e, especificamente, do OTSS Bocaina", destaca Leonardo Freitas, Coordenador Geral do OTSS.
O bioma em disputa e o papel dos guardiões
A Mata Atlântica foi o primeiro bioma a sofrer os impactos da colonização e permanece, hoje, como o mais devastado e pressionado pelo processo de expansão urbana e industrial. A fragmentação das florestas e a poluição dos rios, lagos e oceanos não apenas ameaçam espécies raras, mas tentam apagar as culturas que dependem diretamente desses ecossistemas para existir. Tratar a floresta apenas como recurso econômico tem levado o bioma a um limiar crítico de conservação.
Neste cenário, os povos e comunidades tradicionais emergem como as principais barreiras contra a degradação. Seus modos de vida, baseados no manejo agroecológico, na pesca artesanal e no profundo conhecimento da fauna e flora, são o que mantém de pé os remanescentes florestais mais preservados do país. Reconhecer esses povos como guardiões é admitir que não existe defesa ambiental eficaz sem a proteção das comunidades que cuidam da terra e do território há séculos.
Os dados sobre a Mata Atlântica revelam a gravidade da situação: restam hoje apenas cerca de 12,4% da vegetação original do bioma, que originalmente cobria 15% do território brasileiro em 17 estados. Apesar da devastação, a floresta ainda abriga mais de 20 mil espécies de plantas e mais de 2 mil espécies de animais vertebrados, sendo que muitas delas não existem em nenhum outro lugar do planeta. Além disso, o bioma é vital para a economia e a vida humana, sendo responsável pelo abastecimento de água de mais de 145 milhões de brasileiros, o que representa cerca de 70% da população do país.
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