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Projeto Redes: cinco anos de mobilização e formação fortalecem comunidades tradicionais de RJ e SP

  • Foto do escritor: Déborah Gérbera
    Déborah Gérbera
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Já estão no ar o videodocumentário e o boletim que sintetizam os principais resultados da segunda fase do projeto, realizada entre 2021 e 2025. Confira! 



Nos últimos cinco anos, o Projeto Redes mobilizou diretamente 945 lideranças comunitárias, articulou 393 organizações e realizou mais de 3.500 atividades territoriais em 111 comunidades tradicionais de Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty, no litoral sul fluminense; e de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, no litoral norte paulista. Ao concluir sua segunda fase, a iniciativa celebra cinco anos de formação, mobilização social e fortalecimento comunitário nos territórios.

Resultado de uma condicionante do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, o Projeto Redes integra um conjunto de ações exigidas à Petrobras para mitigar os impactos da exploração de petróleo e gás do Polo Pré-sal na Bacia de Santos. Seu objetivo é fortalecer a organização social, política e econômica das comunidades tradicionais e ampliar sua participação qualificada nos processos de gestão socioambiental.


Realizada no âmbito do Programa de Educação Ambiental, a segunda fase do Projeto Redes foi executada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) por meio do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS). Também participaram, como parceiras, a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Estadual Paulista (UNESP).


É muito significativo que esta tenha sido a primeira condicionante do licenciamento ambiental federal executada simultaneamente por um movimento social, duas universidades e uma instituição pública. Conseguimos fortalecer, ao longo da execução, as principais temáticas existentes no território, assim como a participação dos sujeitos nos processos relativos ao licenciamento ambiental,” explica Indira Alves França, ex-coordenadora da Fase 2 do Projeto Redes e coordenadora de Gestão de Saberes do OTSS. 

Para acessar o boletim informativo, que resume os principais resultados da Fase 2 do Projeto Redes, clique aqui. 


Formação com solidariedade 

Ao longo dessa trajetória, o Projeto Redes também atuou em momentos críticos, como durante a pandemia de Covid-19. Nesse período, educadoras, educadores e lideranças das comunidades participaram da campanha Cuidar é Resistir, que mobilizou redes de solidariedade e garantiu apoio direto a famílias em situação de vulnerabilidade.

A campanha distribuiu alimentos, máscaras e materiais de higiene, ao mesmo tempo em que fortaleceu circuitos de economia solidária, com a compra de pescado e produtos agroecológicos das próprias comunidades tradicionais. A iniciativa demonstrou, na prática, a força das redes comunitárias e a capacidade de organização dos territórios diante de situações de crise.


Saberes que circulam entre mar, terra e comunidade

Entre 2022 e 2025, foram realizados também dez cursos formativos, construídos em diálogo com as comunidades e baseados na pedagogia da alternância, metodologia que combina momentos de estudo coletivo com vivências práticas nos próprios territórios.

O ciclo formativo teve início com o curso Maré de Saberes, que reuniu lideranças comunitárias em um processo de troca e valorização dos conhecimentos tradicionais presentes nos territórios. Inspirado pelas dinâmicas do mar e pela força das comunidades costeiras, o curso marcou o começo de uma jornada formativa voltada ao fortalecimento das redes comunitárias.



Ao longo dos anos, o percurso formativo seguiu com a realização de outros cursos voltados ao fortalecimento da organização comunitária, da autonomia dos territórios e da defesa dos modos de vida tradicionais. Entre eles:


  • Comunicação Popular

  • Rede de Defensoras e Defensores dos Territórios Tradicionais

  • Educação Diferenciada

  • Gestão de Riscos e Desastres

  • Pesca Artesanal e Gestão Costeira e Marinha

  • Saneamento Ecológico

  • Saúde e Cultura Tradicional

  • Turismo de Base Comunitária



Com o objetivo de criar um fio condutor que une teoria e prática, o Licenciamento Ambiental foi o eixo central de todos os cursos. Esta abordagem buscou integrar a formação teórica, técnica, política e prática com os conflitos socioambientais vivenciados no dia a dia pelas comunidades, levando os participantes a refletir sobre condicionantes  para mitigar os impactos sofridos.


Já a metodologia adotada pela Rede Formação foi a Pedagogia da Alternância, que divide o programa educativo em Tempos Escola e Tempos Comunidade. Nos Tempos Escola, os participantes são introduzidos aos conceitos teóricos através de módulos que abordam tanto o Licenciamento Ambiental quanto os temas específicos de cada curso. Já nos Tempos Comunidade, o foco se volta para a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos, promovendo a integração das lições aprendidas com a realidade vivida pelas comunidades.



Encerrando esse ciclo, o curso Raízes dos Saberes celebrou os aprendizados construídos coletivamente ao longo da jornada formativa e reafirmou a importância de fortalecer as redes de formação e mobilização entre as comunidades tradicionais.


O projeto contribuiu constantemente para a troca de experiências entre acadêmicos e comunidades, levando as políticas públicas ao interesse de cada grupo. Dessa forma, nossa atuação se deu em cada espaço, fortalecendo os saberes tradicionais diante das demandas de cada comunidade e sempre buscando estar presente nesses momentos. Isso enriquece ainda mais a formação desses grupos“, exemplifica Márcio Roberto dos Santos (Chico), pescador artesanal, pesquisador comunitário do OTSS e liderança do FCT.


Já os Projetos Territorializados de Aprendizagem (PTAs) foram concebidos, no âmbito do Projeto Redes, como dispositivos pedagógicos que articulam formação, prática e fortalecimento comunitário nos territórios. Sua metodologia foi construída de forma participativa, envolvendo equipes do projeto, instituições parceiras e representantes das comunidades, e organizou-se em etapas que incluíram a identificação, seleção, implementação, acompanhamento e avaliação das iniciativas. O processo parte do mapeamento de práticas e processos já existentes nos territórios, buscando reconhecer ações com potencial de fortalecer organizações comunitárias, valorizar os modos de vida tradicionais e ampliar redes de cooperação, a partir dos princípios da educação popular e do diálogo entre saberes.



Próximos passos

A execução da Fase 3 do Projeto Redes será licitada pela Petrobras em 2026. Em caso de dúvidas, contate o e-mail comunica.uobs@petrobras.com.br ou acesse o site https://comunicabaciadesantos.petrobras.com.br/pea-costa-verde-projeto-redes 


📸 Déborah Gérbera

🎥 Felipe Scapino

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