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Encontro Internacional de Territórios e Saberes ocorre em setembro em Paraty 

Atualizado: 20 de mar.

Com público estimado em mais de mil pessoas, 1º Encontro Internacional de Territórios e Saberes (EITS) propõe aprofundar o diálogo entre saber científico e tradicional para a promoção da saúde e do desenvolvimento sustentável. 



Agendado para ocorrer entre os dias 9 e 15 de setembro de 2024 em Paraty (RJ), no litoral sul do Rio de Janeiro, o 1º Encontro Internacional de Territórios e Saberes (EITS) emerge como um marco histórico na articulação de saberes científicos e tradicionais para a promoção territorializada do desenvolvimento sustentável. Com o objetivo de desenvolver uma proposta político-estratégica de incidência internacional, o evento visa também posicionar as comunidades e povos tradicionais no centro das discussões climáticas globais, especialmente com vistas à COP 30, que será realizada no Brasil em 2025.


Com um público estimado em mais de mil participantes, incluindo 140 palestrantes nacionais e internacionais e cerca de 70 representantes de povos e comunidades tradicionais da América Latina e da África, o encontro trará conferências, mesas de debate, oficinas, vivências e visitas de campo organizadas em torno de cinco eixos principais: “Ecologia de Saberes para a promoção do Bem Viver”, “Oceanos e rios - redes de vida e saberes”, “Estratégias de resiliência e tecnologias de enfrentamento às emergências sanitárias e climáticas”, “Educação, cultura e modos de vida, expressões de resistência e construção do futuro” e “Articulação em Redes”.


A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Estadual Paulista (UNESP), o Colégio Pedro II (CPII) e o Fórum de Comunidades Tradicionais de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba (FCT). Também participam da construção do evento organizações como a Coordenação Nacional de Comunidades Tradicionais Caiçaras (CNCTC), a Coordenação Nacional de Comunidades Negras e Rurais Quilombolas (CONAQ) e a Comissão Guarani Yvyrupá (CGY), principal organização de representação dos Povos Guarani no sul e sudeste do Brasil.  


“Estamos construindo este encontro para fortalecer redes e debates que contribuam para garantir os direitos dos povos e comunidades tradicionais. Vamos pensar juntos saídas para um mundo mais justo e menos desigual, além de avançar em uma estratégia conjunta entre nossos movimentos e parceiros para Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, que ocorrerá ano que vem aqui no Brasil”, destaca Vagner do Nascimento, integrante do colegiado de coordenação do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) e coordenador geral do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), uma parceria entre a Fiocruz e o FCT.  


Construção coletiva




Em construção, a programação do EITS se baseia na crescente necessidade de se articular diferentes formas de conhecimento para o enfrentamento de desafios globais comuns, como as mudanças climáticas, a segurança alimentar e as desigualdades sociais. Além disso, a programação destaca o papel vital dos povos tradicionais na preservação da biodiversidade, sublinhando que as áreas mais preservadas dos biomas globais são, frequentemente, aquelas protegidas por estas comunidades.


“O 1º Encontro Internacional de Territórios e Saberes promete ser um evento transformador, não apenas pela sua escala e diversidade, mas também pelo seu compromisso em colocar os povos e comunidades tradicionais na vanguarda das discussões sobre o futuro do planeta. Ao fazer isso, esperamos não apenas contribuir com  as políticas públicas e as estratégias de promoção da saúde e do desenvolvimento sustentável, mas também fortalecer as redes de solidariedade e cooperação entre diferentes culturas e nações em busca de um mundo mais justo, equitativo e sustentável”, completa Hermano Castro, vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz. 


Confira, abaixo, os eixos temáticos do EITS e aguarde que logo divulgaremos nossa programação completa e a abertura das inscrições pelo site www.otss.org.br.

 

EIXO 1 - Ecologia de Saberes para a Promoção do Bem Viver: Este tema visa explorar como a integração dos conhecimentos tradicionais e científicos pode oferecer soluções inovadoras para os desafios socioambientais contemporâneos. As sessões abordarão estratégias para a conservação da biodiversidade, a mitigação das mudanças climáticas e a promoção de territórios sustentáveis e saudáveis que garantam o bem-estar das comunidades e seus ecossistemas.


EIXO 2 - Oceanos e Rios - Redes de Vida e Saberes: Reconhecendo a importância vital das águas continentais e marítimas, este bloco temático focará na conservação dos ecossistemas aquáticos, na pesca artesanal, na gestão costeira e marinha e na gestão comunitária dos recursos hídricos. Serão discutidas as práticas tradicionais de manejo, a importância cultural dos corpos d'água para as comunidades tradicionais, e as estratégias de resistência contra a poluição e a exploração insustentável das águas.


EIXO 3 - Estratégias de Resiliência às Emergências Sanitárias e Climáticas: A pandemia de Covid-19 e a escalada de eventos climáticos extremos evidenciaram a vulnerabilidade de muitas comunidades frente a crises sanitárias e climáticas. Este tema propõe uma reflexão sobre as lições aprendidas e as estratégias de resiliência desenvolvidas pelas comunidades tradicionais, incluindo a gestão de riscos sanitários, tecnológicos e socioambientais.


EIXO 4 - Educação, Cultura e Modos de Vida, Expressões de Resistência: A educação ambiental e a valorização das culturas tradicionais são fundamentais para a construção de um futuro sustentável. Este bloco abordará a importância da transmissão de saberes entre gerações, a preservação do patrimônio cultural e a promoção de modos de vida que respeitem os limites dos ecossistemas.


EIXO 5 - Articulação em Redes: Reconhecendo a importância de promover a articulação dos conhecimentos tradicionais e científicos a partir da constituição de redes de diálogo, promoveremos encontros e oficinas para fortalecer redes já existentes e promover o surgimento de novas redes entre Universidades e Comunidades Tradicionais, do Brasil, América Latina e África para construção de estratégias baseadas na troca de experiências..


Patrimônio da Humanidade



Outro fato importante do EITS é sua realização no Sítio Misto do Patrimônio Mundial da UNESCO em Paraty e Ilha Grande, título que só foi conquistado em decorrência do protagonismo dos povos e comunidades tradicionais ao longo de todo o processo de candidatura. Reconhecido pela UNESCO em 2019, trata-se do primeiro sítio misto da América do Sul onde se encontra uma cultura viva, uma vez que os demais sítios mistos do continente, como Machu Picchu, no Peru, são sítios arqueológicos em uma paisagem natural. 


No caso brasileiro, o novo sítio abriga comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras que vivem da sua relação com a natureza, da pesca artesanal e do manejo sustentável de espécies da biodiversidade, atributos nominados pela própria UNESCO para o reconhecimento do sítio como bem de excepcional valor universal.


“Este encontro é muito importante para a gente discutir tudo que envolve nossa existência como povos e comunidades tradicionais. E o mundo precisa entender que nossa luta é uma luta de toda a humanidade, e que precisamos urgentemente nos unir”, destaca Julio Karai, assessor especial de articulação indígena do OTSS e integrante da coordenação da Comissão Guarani Yvyrupá. 


“O Encontro Internacional de Territórios e Saberes é resultado do exercício cotidiano que a UFF, o OTSS, o FCT e outras instituições parceiras têm praticado no sentido de exercitar o diálogo entre diferentes saberes, fazendo convergir conhecimentos tradicionais e acadêmicos. Temos acumulado experiências diversas, em projetos, cursos, campanhas e outras iniciativas com foco aqui no nosso território. O Encontro Internacional será uma oportunidade para comunicar essas experiências e também para promover diálogos e intercâmbios com outras experiências semelhantes, que expressam resistência e que se inventam a partir dessa confluência entre territórios e saberes”, acrescenta José Renato, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF).


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