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Governança e Justiça Climática: Fiocruz, CLACSO e Rede Marangatu iniciam construção de agenda estratégica para a América Latina

  • Foto do escritor: Débora Monteiro
    Débora Monteiro
  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Em alinhamento com a Década dos Oceanos, encontro em Cartagena (Colômbia) projeta plano estratégico de atuação para América Latina e Caribe e impulsiona a reforma agrária sob a ótica da Água e seus "maretórios" e “aquatórios”


Segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20)
Segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20)

A integração regional para a saúde e o desenvolvimento territorial avançou significativamente durante a Segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20), em Cartagena, Colômbia. O evento marcou a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO), estabelecendo uma cooperação técnica focada na "Cooperação Sul-Sul" para fortalecer a agricultura familiar.


Fotografia: Júlia Borges
Fotografia: Júlia Borges

Logo após o ato, um gesto simbólico reforçou o compromisso com a vida: Wellington Quilombola, pesquisador da Rede Marangatu e liderança do Fórum de Povos e Comunidades Tradicionais de Sergipe, entregou ao Ministro e ao Diretor do CLACSO, Pablo Vommaro, a camisa "em defesa da vida". A peça denuncia os impactos dos vazamentos de petróleo em Sergipe, simbolizando a resistência dos povos tradicionais como guardiões da sociobiodiversidade frente aos danos de grandes empreendimentos.


Fotografia: Júlia Borges
Fotografia: Júlia Borges

Reforma Agrária e a Década dos Oceanos: O Conceito de "Maretórios"

Fortalecida pela Rede Marangatu, a Conferência debateu a redefinição do conceito de reforma agrária. A proposta, alinhada aos objetivos da Década dos Oceanos, expande o direito à terra para incluir a governança dos maretórios e aquatórios.

"Nossa atuação contribui para trazer a dimensão da governança territorial e do patrimônio biocultural como chaves da reforma agrária", afirmou Edmundo Gallo, pesquisador titular da Fiocruz e coordenador da Rede Marangatu e do OTSS. "Pensamos a reforma agrária como uma forma de constituir territórios sustentáveis e saudáveis, articulando tecnologias digitais, sociais e ancestrais para a resiliência costeira. Essa convergência tecnológica é o que permite a integração soberana de saberes necessária para responder à crise climática na América do Sul".

Fiocruz, CLACSO e Marangatu: Construindo o Futuro da Cooperação Regional

A relevância do encontro para o Brasil foi aprofundada em uma reunião de trabalho na qual a Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz (VPAAPS), a Rede Marangatu e a direção do CLACSO iniciaram a construção de uma ação estratégica comum.


Fotografia: Júlia Borges
Fotografia: Júlia Borges

O encontro reuniu o Vice-Presidente da Fiocruz, Valcler Rangel, e lideranças como Pablo Vommaro (Diretor Executivo do CLACSO) e Pilar Lizárraga (Comitê Diretivo do CLACSO).

"O diálogo estabelecido entre nós reforça a necessidade de conectarmos conhecimentos, lutas e práticas que fortaleçam os atores sociais em torno do tema da Justiça Climática. Precisamos cada vez mais trabalhar esse debate em nível regional na América Latina e Caribe, buscando fazer isso junto com a sociedade civil e destacando assim a permanente luta pela democracia, pelo Bem-Viver e por uma saúde pública forte em todos os países. A Fiocruz estará à disposição da CLACSO, da Rede Marangatu e dos movimentos e instituições para caminharmos juntos", Valcler Rangel, Vice-Presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz (VPAAPS)
Valcler Rangel, Vice-Presidente da Fiocruz - Fotografia: Felipe Scapino
Valcler Rangel, Vice-Presidente da Fiocruz - Fotografia: Felipe Scapino

Também participaram da mesa técnica:

  • Edmundo Gallo, coordenador-geral do OTSS/Fiocruz;

  • Gustavo Lema, diretor de comunicação do CLACSO;

  • Carlos Vaca Flores, investigador da Comunidad de Estudios JAINA (Bolívia);

  • Júlia Borges, coordenadora executiva da Rede Marangatu

"Estamos construindo uma ponte entre a excelência científica e a soberania e governança de dados dos Povos e Comunidades Tradicionais. Essa articulação entre Fiocruz e CLACSO, impulsionada pela perspectiva de governança da Rede Marangatu - que ganhou um salto de qualidade a partir do diálogo com o grupo JAINA da Bolívia - é essencial para transformar o conhecimento em políticas públicas que protejam a democracia e os direitos territoriais na América Latina", ressaltou Júlia Borges sobre o caráter transformador da iniciativa.

Próximos Passos e Missão no Brasil

A reunião foi encerrada com o compromisso de elaborar um plano de trabalho conjunto voltado ao fortalecimento da ação estratégica para a América Latina e o Caribe. Como desdobramento dessa fase de construção, a Fiocruz receberá uma missão oficial no Brasil, prevista para maio. O objetivo é avançar na construção coletiva e consolidar um processo que possibilite um acordo final junto à Presidência da Fiocruz, reafirmando o papel das instituições na liderança da justiça climática e da governança das águas.


A maturidade dessa articulação internacional será levada agora ao Edital Pepe Mujica, onde as instituições irão submeter uma proposta conjunta à Chamada PROSUL. O projeto busca fomento para impulsionar o monitoramento biocultural da água, articulando saberes ancestrais e científicos. Ao unir a Fiocruz, o CLACSO e a Rede Marangatu, a iniciativa se posiciona como um pilar estratégico para a integração da ciência e das políticas públicas na América Latina e Caribe, possibilitando que a governança dos 'maretórios' seja pautada pela justiça climática e pela soberania dos povos sobre seus territórios e dados.


Rede Marangatu


Formada por Instituições científicas, Movimentos sociais e Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs), a Rede Marangatu é uma rede de ciência cidadã que faz parte do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) e conta com o apoio e financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPQ e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI.


  • A Marangatu Sudeste, no Rio de Janeiro e São Paulo, está integrada pelo OTSS e FCT, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro e Universidade de Aveiro (Portugal)

  • A Marangatu Sul, em Santa Catarina, é composta pela Universidade do Sul de Santa Catarina e Universidade do Estado de Santa Catarina, em parceria com a Universidade do Chile e a Tekoa Marangatu, O Quilombo da Taboa e descendentes de açorianas e açorianos

  • A Marangatu Nordeste, em Sergipe, tem parceria com o Fórum de Comunidades Tradicionais de Sergipe e a Universidade Federal de Sergipe (UFS)

  • A Marangatu Norte, no Pará, está integrada pela Universidade Federal do Pará, Universidade Estadual do Pará e Observatório do Mangue

  • A Marangatu Coimbra atua na Paraíba, composta pelo Centro Ecologia Funcional (CFE) e Universidade de Coimbra (Portugal)


Reportagem:

Júlia Borges

Débora Nobre Monteiro

Juliana Vilas

 
 
 

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