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Seminário de Integração do OTSS consolida parcerias e reflete sobre o futuro

  • Foto do escritor: Débora Monteiro
    Débora Monteiro
  • 10 de jul. de 2025
  • 5 min de leitura

A imersão nas 17 áreas de atuação do OTSS trouxe uma tempestade de ideias para o último dia do Seminário de Integração, realizado na primeira semana de julho em Paraty/RJ.


Corações e mentes alinharam-se ao manifesto de Jottapê, liderança indígenas e comunicador comunitário do OTSS, que declamou palavras pelos direitos LGBTQIA+ na mística sensível da militância. A companhia do canto de Michelle Aguilar, pesquisadora comunitária do OTSS, e Thai, repórter-multimídia na equipe de Comunicação do OTSS, chamaram todas, todos e todes para um grande abraço coletivo.


Participante se reúnem em momento emblemático no Seminário de Integração do OTSS
Participante se reúnem em momento emblemático no Seminário de Integração do OTSS

 

Na manhã final do encontro o Futuro foi convocado na provocação “Como podemos construir coletivamente territórios sustentáveis e saudáveis”?

 

A acolhida da liderança indígena Ivanildes e Genilson da Silva, articulador e monitor de TBC da Aldeia Rio Bonito, transformou o gramado em Casa de Reza, e juntos fomos abençoados antes de nos acomodarmos no “Diálogo de muitas mesas”.

"Para a mística da Casa de Reza levamos elementos importantes da cultura Guarani com a intenção de inspirarmos a energia da conversa e da compreensão. Incluímos frutas e outros alimentos, plantas e ervas medicinais, instrumentos musicais, nossos cânticos, pedindo gratidão e saudando todo mundo com respeito à espiritualidade”, Genilson da Silva.

 

Anfitrião na tenda principal, Ronaldo dos Santos - Secretário de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiro e Ciganos - nos convocou a ressignificar o nosso tempo. “O sistema capitalista organiza a lógica do mundo a partir do seu interesse, e nós que nos organizamos a partir das identidades quilombola, indígena, caiçara e outras, nos unimos na luta e sempre enfrentamos os grandes poderes que brincam de controlar o futuro do planeta”.

“Nós queremos deixar esse lugar sagrado como legado para as futuras gerações, e aqui nos territórios fazemos isso pensando a educação diferenciada, o turismo de base comunitária, a pesca artesanal, a gastronomia local, trabalhando projetos para garantir a autonomia dos povos e comunidades tradicionais. As indústrias invadem nossos territórios, e nós lutamos para garantir nossas tecnologias sociais para manejar os usos da terra e do mar. Se eu quero pescar onde meu avô pescou, preciso lutar, se quero vivenciar a ciranda, tenho que lutar, porque senão o sistema não vai deixar… Nossa luta é muito importante, e penso que a campanha ‘Vote pelo Território’ foi um excelente ensaio para o que iremos viver em 2026. Seguiremos defendendo os direitos humanos”, Ronaldo dos Santos.

Os direitos culturais estão garantidos pela Constituição de 1988. Portanto, povos e comunidades tradicionais têm direito à reprodução dos seus conhecimentos tradicionais e suas práticas culturais.

 

A cultura ancestral é um dispositivo de luta e ferramenta impactante para ajudar na defesa dos territórios. Helena Tavares, assessora da Coordenação de Justiça Socioambiental do OTSS, ratificou a atuação em projetos de mapeamento das práticas culturais, para assim viabilizar a elaboração de planos de salvaguarda, de fortalecimento das práticas. “Para além das celebrações, temos todas as práticas produtivas que estruturam os modos de vida, tudo isso é cultura. Roça é cultura, pesca é cultura, as receitas são cultura, a maneira como nos relacionamos com os alimentos é cultura”.


Em grupos, fortalecemos parcerias e pensamos novas articulações com a presença e participação de representantes das instituições:

  • Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAC)

  • Comissão Guarani Yvyrupa (CGY)

  • Coordenação Nacional das Comunidades Tradicionais Caiçaras

  • Fórum de Povos e Comunidades Tradicionais do Vale do Ribeira

  • Universidade Federal Fluminense (UFF)

  • Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

  • Universidade Estadual Paulista (Unesp)

  • Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

  • Colégio Pedro II

  • Verde Cidadania

  • Embrapa Solos

  • Ibama

  • Petrobras

  • INEA

  • Ministério da Igualdade Racial

  • Ministério Público

  • Defensoria Pública do Estado de São Paulo

  • Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro

  • Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

  • Fiotec

  • VPAAPS

  • Escritório de captação da Fiocruz Brasília

  • Estratégia Fiocruz para Agenda 2030

  • Centro de Desenvolvimento Tecnológico e de Saúde da Fiocruz

  • Sapê - Sociedade Angrense de Proteção Ecológica

  • Prefeitura Municipal de Ubatuba

  • Prefeitura Municipal de Paraty

 

As devolutivas alinhadas em cada grupos foram explanadas no palco entre a chegada da Ciranda Infantil com a mostra das artes inventadas pelas crianças ao longo do Seminário e a manifestação da Juventude do FCT, bem como a musicalidade do Bloco Afro do Quilombo do Campinho. As culturais do Seminário também foram conduzidas pelas DJs indígenas Kerexu e Manu Orisun.


Rio do Tempo

 

Os registros no cartaz Rio do Tempo perseveram na mobilização proposta pelo “Caderno de Metodologias/ABA-Agroecologia - Caderno de metodologias: inspirações e experimentações na construção do conhecimento agroecológico” (Universidade Federal de Viçosa, 2017).


 

Posicionado à frente do palco na tenda principal, o material gráfico esteve à disposição do público para receber intervenções. Muriel Duarte, assessora criativa do Núcleo de Planejamento da Coordenação de Governança e Gestão do OTSS, elucida a facilitação gráfica, ferramenta metodológica de registro visual que tem se mostrado essencial na sistematização de experiências, promovendo a participação social, a construção coletiva do conhecimento e da memória dos grupos. Segundo Muriel, o trabalho é inspirado em metodologias participativas como os “círculos de cultura” de Paulo Freire, oportunizando um diálogo horizontal onde todos os envolvidos são protagonistas no processo de construção do conhecimento: a visualização das ideias contribui para o pensamento sistêmico, facilitando a compreensão de conceitos complexos e a identificação de padrões, além de aumentar o engajamento dos participantes, uma vez que suas contribuições são registradas e expostas no painel, estimulando o sentimento de valorização e pertencimento. “Os processos de sistematização também contribuem para o monitoramento e aprimoramento de programas e políticas públicas, facilitando facilitam a circulação de informações entre as redes e organizações do campo agroecológico e para setores mais amplos da sociedade, contribuindo com a visibilização das experiências, dos trabalhos desenvolvidos e resultados alcançados e no apoio da população ao movimento agroecológico”, comenta. 

 

“O Rio do Tempo promove a integração entre a linguagem acadêmica e a linguagem popular, facilitando a construção de uma compreensão compartilhada da agroecologia, potencializando o diálogo e a ecologia de saberes entre múltiplos atores com diferentes repertórios, como educadores e estudantes, pesquisadores e agricultores. Além do encantamento estético, a metodologia cria mapas conceituais, registra a memória de reuniões, ilustra mapas de plantio, sistematiza experiências agroecológicas, compõe a linguagem das cartilhas, por exemplo. Ao integrar desenhos simples, palavras e símbolos geométricos, naturais e culturais, contribui para a organização das informações e a disseminação dos resultados alcançados, facilitando a circulação de conhecimento entre redes agroecológicas e a sociedade em geral”, Muriel Duarte.

Evento Lixo Zero

 


“Nosso trabalho é intenso porque além de separarmos tudo que enviaremos para a reciclagem, temos que cuidar para os copos e os pratos de bagaço de cana e as sobras de alimentos irem para a compostagem nesse processo de virarem adubo. Sempre nos atentando para conscientizar as pessoas sobre a relevância do Lixo Zero”, Suelen Stefanie, trabalhadora na Cooperativa de catadoras e catadores de materiais recicláveis de Paraty.

Além de colaboradores da Fiocruz e do FCT, participaram do seminário parceiras e parceiros da Coordenação Nacional de Comunidades Negras e Rurais Quilombolas (CONAQ), Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), Coordenação Nacional de Comunidades Tradicionais Caiçaras (CNCTC), Fórum de PCTs do Vale do Ribeira, UFF/IEAR, UFRJ, Unesp, Unicamp, Colégio Pedro II, Ong Verde Cidadania, Ong Serrapilheira, Embrapa Solos, Petrobras, Fundação Florestal,  Ministério da Igualdade Racial, Ministério Público, Defensorias Públicas de São Paulo e Rio de Janeiro e Iphan.



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Reportagem: Débora Nobre Monteiro

 
 
 

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