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Agroecos debate nas redes inovações agroecológicas de base comunitária na América Latina

Atualizado: Jun 29

Com foco na resposta à pandemia, iniciativa reúne instituições de pesquisa e organizações camponesas, indígenas e de mulheres do Valle Central da Bolívia, da Baixada Santista e do Litoral Norte de São Paulo e Sul Fluminense.



Inovação agroecológica de base comunitária, especialmente na América Latina. Este é o mote do Projeto Agroecos, que reúne equipes de pesquisa de três países (Reino Unido, Bolívia e Brasil) para realizar pesquisa-ação-participativa com organizações comunitárias que promovem inovação agroecológica. A iniciativa reúne instituições de pesquisa e organizações camponesas, indígenas e de mulheres pertencentes aos territórios do Valle Central da Bolívia, da Baixada Santista e do Litoral Norte de São Paulo e Sul Fluminense.

O projeto é uma realização da The Open University (Reino Unido), Comunidad de Estudios Jaina (Bolivia), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista e Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT). Entre os objetivos do projeto, está fortalecer a capacidade de resposta destas comunidades à pandemia de COVID 19 por meio do reforço à economia solidária baseada em agroecologia.

“Diante do nosso compromisso com a pesquisa-ação, entendemos que tínhamos de orientar nosso foco de pesquisa para o contexto da pandemia. Ela tem possibilitado uma reflexão importante acerca de novas formas de relação produção-consumo e de novas ferramentas e tecnologias socioterritoriais na perspectiva da economia solidária”, avalia o pesquisador e professor da UNESP Davis Gruber Sansolo. Por isso, segundo ele, o projeto irá elaborar uma matriz que permita comparar o avanço em agroecologia nestes territórios durante e após a pandemia.

Bocaina, Valle Central da Bolívia e Baixada Santista: territórios unidos pela agroecologia


Para as organizações que participam do Agroecos, as práticas agroecológicas dependem do conhecimento ecológico dos recursos locais, especialmente a biodiversidade e a ciclagem de nutrientes. Por meio de cadeias curtas de suprimento de alimentos, os produtores criam um relacionamento mais próximo com os consumidores, além de manter a qualidade e o valor nutricional dos alimentos. Por sua vez, esses processos retêm mais valor agregado e podem beneficiar grupos de baixa renda de várias maneiras.

“Desde a pandemia, estas redes enfrentam desafios para adaptar suas circuitos curtos aos novos requisitos de higiene, assim como à redução de renda. Mas as redes criaram também novas medidas seguras para muitos objetivos: para ligar os produtores agroecológicos com os moradores, para abastecer as necessidades alimentares e para manter renda. Deste modo, as redes encontraram novas oportunidades para ampliar suas atividades solidárias”, avalia Les Levidow, pesquisador e professor da The Open University (Reino Unido).

Segundo ele, o projeto buscará, nos três territórios selecionados, manter ou ampliar circuitos curtos ligando produção agroecológica com consumo; avaliar de forma mais profunda as interdependências entre produtores, consumidores e políticas públicas; fortalecer capacidades coletivas, sobretudo para a autogestão; e debater o protagonismo das mulheres nos processos agroecológicos em curso nas comunidades.


Outra missão do projeto será combinar, testar e refinar métodos de pesquisa baseados na coprodução de conhecimento e no diálogo entre saberes. “Um dos nossos principais objetivos é entender como se desenvolvem capacidades coletivas nas comunidades para o desenvolvimento sustentável em agroecologia. E a gente está em um estágio em que a prática da ecologia de saberes e sua materialização pela governança viva, tendo o território como centro, torna-se uma singularidade que permite contribuir muito com esses processos”, destaca Edmundo Gallo, pesquisador titular da Fiocruz e coordenador geral do OTSS.

Em cada estudo de caso serão realizadas três oficinas, todas abertas à participação pela internet. A primeira ocorreu no dia 17/06, às 14h, com foco nas inovações agroecológicas de base comunitária desenvolvidas na Baixada Santista em resposta à pandemia. No dia 02 de julho, um novo seminário trará a experiência em agroecologia desenvolvida conjuntamente por comunidades indígenas, caiçaras e quilombolas de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba, e no dia 17 de julho será a vez de as populações campesinas do Valle Central da Bolívia compartilharem suas experiências. (Para participar, clique aqui).



Texto: Vinícius Carvalho - Comunicação OTSS Fotos: Felipe Scapino e Eduardo Napoli - Comunicação OTSS Arte flyer: Giovanna - UNESP



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