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Plano de Saneamento Ecológico avança e dá início às obras na Aldeia Sapukai

  • Foto do escritor: Caroline Nunes
    Caroline Nunes
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Iniciadas em janeiro de 2026, as intervenções são resultado de um processo construído desde 2023, com participação da comunidade, diagnóstico territorial e escolhas coletivas sobre os sistemas de saneamento

Obras de Saneamento Ecológico na Aldeia Sapukai
Obras de Saneamento Ecológico na Aldeia Sapukai | Créditos: Tito Cals

As obras de saneamento ecológico na Aldeia Indígena Sapukai (RJ) tiveram início em janeiro de 2026, mas representam apenas uma etapa visível de um processo mais longo, construído de forma coletiva desde 2023. A iniciativa faz parte do Plano Territorializado de Saneamento Ecológico, metodologia criada pelo Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) para desenvolver intervenções em comunidades tradicionais a partir de escuta, participação comunitária e respeito às especificidades do território.


O processo começou a partir de uma demanda levantada pela própria aldeia, que apontou a necessidade de melhorias nas condições de saneamento. 


“A partir dessa solicitação inicial, foram realizadas reuniões para compreender as necessidades locais e identificar de que forma o projeto poderia contribuir de maneira adequada e sustentável. Em seguida, teve início a articulação institucional, que possibilitou a captação de recursos junto ao Comitê de Bacias Hidrográficas, garantindo viabilidade financeira para o desenvolvimento das ações”. É o que explica o Engenheiro e Presidente do Comitê de Bacias Hidrográficas da Baía da Ilha Grande, Tito Cals, coordenador do núcleo de Saneamento Ecológico do OTSS.


Metodologia participativa define soluções para o território


Com os recursos assegurados, a equipe deu início ao diagnóstico participativo do território. Na sequência, foi realizada uma oficina de desenho com crianças e moradores do Núcleo Marta da Silva, um dos três pontos definidos para a implantação de banheiros. 


“A atividade permitiu que a comunidade imprimisse sua identidade ao projeto, fortalecendo o sentimento de pertencimento e cuidado com os espaços construídos”, salienta Tito.


Após essa etapa, a equipe técnica estudou três possíveis sistemas de tratamento de esgoto e água. As alternativas foram apresentadas em uma nova oficina, na qual foram discutidos custos de material e mão de obra, benefícios, vantagens e limitações de cada sistema. A escolha final ficou a cargo do próprio núcleo, que decidiu coletivamente qual solução melhor atendia às suas necessidades.



Obras avançam e novas estruturas estão previstas na aldeia


Com a definição do sistema e do desenho do banheiro, o projeto foi finalizado e alinhado com uma equipe de obra composta também por indígenas da aldeia. A construção iniciada em janeiro marca, portanto, mais um passo dentro de um plano mais amplo, que ainda prevê as etapas de sistematização e monitoramento da eficiência dos sistemas implantados.


Além do banheiro em construção no Núcleo Marta da Silva, o plano contempla a reforma de um banheiro localizado no centro da aldeia, próximo à casa de reza indígena. 


“Nesse espaço, serão feitas melhorias no desenho, na infraestrutura, no acesso à água e no sistema de tratamento. Também está prevista a construção de um novo banheiro na entrada da aldeia, que funcionará como estrutura de recepção para o Turismo de Base Comunitária desenvolvido na Aldeia Sapukai”, avalia Tito.


As ações reforçam a importância de processos de saneamento pensados a partir do território, do diálogo e da autonomia das comunidades, promovendo saúde, cuidado ambiental e fortalecimento cultural.


Formação, captação de água da chuva e diagnóstico fortalecem autonomia da aldeia


Paralelamente às obras, outras duas frentes vêm ampliando o impacto do Plano Territorializado de Saneamento Ecológico na Aldeia Sapukai. Uma delas é o curso “Chuva Viva”, formação online sobre captação de água da chuva que tem mobilizado participantes de diferentes territórios. Com quase 150 inscritos — embora a turma seja limitada a 30 pessoas — o curso registra grande engajamento nas aulas semanais, realizadas às quartas-feiras à noite.



A etapa final da formação será prática e acontecerá na própria aldeia, junto à construção do banheiro atualmente em obra. O sistema contará com captação de água da chuva para abastecimento dos vasos sanitários — uma solução ainda inédita no território. 


“Ao final do curso, cada participante deverá apresentar uma proposta de projeto de captação para sua própria comunidade, ampliando o alcance da iniciativa”, enfatiza o engenheiro Tito Cals. 


Outra ação em andamento é a elaboração de um diagnóstico geral do saneamento da aldeia. A demanda, trazida anteriormente pela comunidade, apontava a ausência de um documento técnico que sistematizasse as condições existentes. A versão preliminar já foi entregue e tem sido utilizada pela liderança local em reuniões, fortalecendo a incidência política e consolidando o diagnóstico como instrumento de luta por direitos e melhorias estruturais.


Por Caroline Nunes


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