Campanha Territórios Vivos e Projeto Povos realizam Rodas de Cultura em Ilhabela/SP
- Débora Monteiro
- 30 de set. de 2025
- 3 min de leitura

As Rodas de Cultura do Projeto Povos, realizadas durante a tradicional Festa de São Bom Jesus de Iguape, na Praia da Serraria, e na festa da Praia dos Castelhanos, em Ilhabela/SP, foram momentos intensos de troca, vivência e reconhecimento com as comunidades tradicionais do local. Foram levados um pedaço da cultura caiçara com o Fandango Bacurau de Ubatuba, a Folia do Divino, os saberes da pesca, do artesanato, do Turismo de Base Comunitária (TBC) e da roça.
Na Praia dos Castelhanos, o encontro com a comunidade foi marcado por alegria, fogueira acesa, música e, principalmente, pela vontade de se fortalecer enquanto cultura viva. Além do festejo, foi um momento de articulação e escuta, onde tradição e luta se abraçaram.
Em Ubatuba/SP, essas tradições seguem firmes. Levar esse sopro de ancestralidade a Ilhabela/SP foi mais que uma apresentação; foi um reencontro. A cultura tornou-se ponte, memória e luta.
De acordo com Robson Fernandes, pesquisador do Projeto Povos, caiçara do Puruba e integrante do Fandango Bacurau, foram abertos caminhos, reforçadas alianças e inspiradas memórias. “Encontraram-se mestres e mestras que há muito não vivenciavam o Fandango ou a Folia. Ver o brilho nos olhos e o desejo de que essas manifestações voltem foi a certeza de que a cultura está viva: mesmo que em silêncio, ela resiste, esperando o tempo certo de florescer”, relata.
Cultura e tradição
A tradicional Festa de São Bom Jesus de Iguape, na Praia da Serraria, em Ilhabela (SP), celebra quase 300 anos de fé e tradição. Um evento que resiste ao tempo no isolamento preservado da comunidade, em um lugar que parece ter parado no tempo.

“Mais do que levar a cultura caiçara – com o Fandango Bacurau de Ubatuba, a Folia do Divino, os saberes da pesca, do artesanato, do Turismo de Base Comunitária (TBC) e da roça –, fomos principalmente para ouvir, aprender e partilhar”, conta Robson.
“É lindo ver como na Serraria as casas, as ruas de areia, o jeito de viver e as práticas se mantêm preservadas. Ali, o povo celebra com missa, procissão, cantos em latim, levantamento do mastro, ucharia, leilão e corrida de canoas. Participar desse momento foi como voltar ao tempo dos antigos, quando espiritualidade e cultura caminhavam juntas”, Robson Fernandes.
As Rodas de Cultura são impulsionadas pela Campanha Territórios Vivos, aproximam coletivos, associações e lideranças das comunidades tradicionais.
A Campanha Territórios Vivos tem como foco a transmissão de saberes entre gerações, integração cultural e o fomento à economia cultural, políticas públicas e visibilidade das práticas tradicionais
“Agradecemos imensamente à comunidade da Serraria, ao Fandango Mestre Pedrinho, ao Fandango Bacurau, à Folia do Divino, ao Jairinho do GT Coivara, ao mestre luthier Roberto, ao Robinho do GT de Cultura do FCT e à Aline, coordenadora do TBC em Castelhanos, que tornaram essa troca de saberes possível”, finaliza Robson Fernandes.
O que é o Projeto Povos?
Reivindicação histórica do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), a realização do Projeto Povos é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para a produção de petróleo e gás pela Petrobras na Bacia de Santos. Quem executa é o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), uma parceria entre o FCT e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Participam também a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a Comissão Guarani Yvyrupá (CGY) e a Coordenação Nacional de Comunidades Tradicionais Caiçaras (CNCTC), que completam o conselho do projeto com a missão de garantir que todos os direitos das comunidades sejam respeitados.



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