Fundação Banco do Brasil certifica duas tecnologias sociais ligadas ao OTSS na 13ª edição do prêmio
- Caroline Nunes

- há 9 horas
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Coletivo Cozinha das Tradições e Plano Territorializado de Saneamento Ecológico estão entre as iniciativas reconhecidas nacionalmente como tecnologias sociais certificadas

Duas iniciativas vinculadas ao Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) foram certificadas na 13ª edição do Prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. O reconhecimento nacional consolida o Coletivo Cozinha das Tradições e o Plano Territorializado de Saneamento Ecológico como experiências transformadoras, construídas de forma coletiva e com impacto social comprovado.
O Plano Territorializado de Saneamento Ecológico é resultado da metodologia construída pelo Núcleo de Saneamento da Incubadora de Tecnologias Sociais (ITS) do OTSS, a partir de processos participativos e de base territorial, articulando saúde, meio ambiente e organização comunitária. A proposta parte do princípio de que o saneamento deve ser pensado a partir das realidades locais, valorizando saberes tradicionais e soluções ecológicas.
“Um dos grandes problemas do saneamento no Brasil é o desconhecimento, a falta de informação sobre a relação do saneamento com a saúde. O Plano Territorializado de Saneamento Ecológico funciona como um guia, um passo a passo de como as ações de saneamento podem ser conduzidas dentro das comunidades”. É o que explica o Engenheiro e Presidente do Comitê de Bacias Hidrográficas da Baía da Ilha Grande, Tito Cals, coordenador do núcleo de Saneamento Ecológico do OTSS.
Para Tito, quando a comunidade participa desde a demanda até o monitoramento das soluções, ela se torna parte do processo, “e isso aumenta muito as chances de sucesso e de melhoria da qualidade de vida no longo prazo.”
Cozinha e território
Já o Coletivo Cozinha das Tradições consolida uma tecnologia social baseada na valorização dos saberes alimentares, das práticas culturais e da organização comunitária em torno da produção e do compartilhamento de alimentos. A iniciativa articula geração de renda, fortalecimento de identidades e promoção da soberania alimentar.
“Promover a soberania alimentar e o bem viver por meio da nossa cultura alimentar é o nosso maior desafio. Fazer isso com a leveza com que esse coletivo faz é lindo de viver. Esse título fortalece muito o nosso coletivo e os nossos empreendimentos comunitários”, destaca Cirlene Martins, coordenadora da Cozinha das Tradições e integrante da Frente de Agroecologia do FCT e do OTSS, por meio da Incubadora de Tecnologias Sociais (ITS).
“É o reconhecimento de todo o nosso esforço e de toda a nossa luta diária como povos tradicionais, uma das grandes lutas do FCT”, completa.
Reconhecimento
A certificação representa um processo construído ao longo do tempo, envolvendo acúmulo metodológico, compromisso institucional e construção compartilhada. O reconhecimento reafirma a potência das tecnologias sociais desenvolvidas no âmbito da Incubadora e do Observatório, evidenciando a capacidade de articulação entre pesquisa, território e transformação social.
Além disso, a certificação fortalece as iniciativas e amplia a visibilidade nacional da equipe, abrindo caminhos para novas parcerias e possibilidades de expansão. Segundo a coordenadora da Incubadora de Tecnologias Sociais do OTSS, Sidélia Silva, o reconhecimento da Fundação Banco do Brasil reforça a relevância das tecnologias sociais construídas a partir do diálogo entre diferentes saberes.

“O reconhecimento do Plano Territorializado de Saneamento Ecológico e da Cozinha das Tradições mostra a força de tecnologias construídas a partir da ecologia de saberes entre técnicas tradicionais e acadêmicas”, destaca.
Para Sidélia, as duas iniciativas certificadas fomentam o potencial de inovação existente nos territórios.
“São processos que nascem dos povos e comunidades tradicionais, do diálogo entre o conhecimento comunitário e o conhecimento científico, e que resultam em tecnologias extremamente importantes para garantir território, continuidade e ancestralidade”, afirma.
Sidélia ainda ressalta que a certificação amplia o alcance dessas experiências e fortalece as redes de troca entre iniciativas semelhantes.
“Essa certificação ajuda a amplificar para outros territórios o que estamos fazendo e possibilita que mais pessoas conheçam, compartilhem e até repliquem essas tecnologias. Isso fortalece a troca de saberes e contribui para novas inovações nos territórios”, finaliza a coordenadora.
Por Caroline Nunes



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