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Metodologia de cartografia social desenvolvida por Fiocruz e FCT chega a Portugal e Espanha

Iniciativa é resultado de parceria entre Universidade de Coimbra, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) e Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) para a caracterização de sete aldeias localizadas na área de fronteira entre os dois países.



Imagine nossa alegria ao ver nossa metodologia de cartografia social ganhando o mundo! Após uma rica experiência junto à comunidade de Ngothie, no Senegal, estamos agora na Europa realizando a caracterização de comunidades da Serra da Malcata (Portugal) e da Serra da Gata (Espanha). Trata-se de uma região transfronteiriça que sofre historicamente um forte processo de êxodo rural, com despovoamento oriundo também de impactos das mudanças climáticas.


"Estamos trabalhando na freguesia de Vilar Maior, que reúne sete aldeias que já tiveram mais de 3 mil habitantes, mas que hoje reúnem cerca de 250 moradores. Além da cartografia social, estamos também partilhando tecnologias sociais com as quais a Fiocruz e o Fórum de Comunidades Tradicionais trabalham para construir planos de incidência para a promoção de territórios sustentáveis e saudáveis", explica Edmundo Gallo, pesquisador titular da Fiocruz e coordenador geral do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis (OTSS).


A iniciativa se inspira na experiência do Projeto Povos, resultado da execução de uma condicionante exigida pelo Ibama no âmbito do licenciamento ambiental federal que determina a caracterização de cerca de 100 territórios tradicionais nos municípios de Angra dos Reis e Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, e de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Executado por Fiocruz e FCT por meio do OTSS, este processo já mobilizou mais de 470 comunitários que habitam os territórios beneficiários da ação por meio da realização de 86 oficinas de caracterização e 103 atividades de campo e mobilização. Ao todo, a ação resultou na realização de 125 entrevistas em profundidade, no mapeamento de 2.025 elementos cartográficos e na elaboração de 54 mapas falados e 67 mapas georreferenciados (Para saber mais, clique aqui)


"A produção científica nessa linha de investigação reflete a preocupação de articular as diferentes perspectivas disciplinares que enfatizam as dimensões dos fenômenos socioecológicos, da sustentabilidade e da saúde, bem como aprofundar o contributo dos estudos sociais. Essa experiência de cartografia social está a ocorrer de forma muito bem sucedida e estamos muito entusiasmados, potencializando este histórico trabalho conjunto que temos e proporcionando o intercâmbio e a cooperação internacional. As comunidades estão muito entusiasmadas e estamos muito esperançosos quanto à continuidade deste trabalho", destaca Fátima Alves, professora associada da Universidade Aberta e investigadora do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, que integra mais de 40 investigadores e colaboradores, entre os quais da Fiocruz e do OTSS.


"As iniciativas de cartografia social, desenvolvidas em parceria com a Universidade de Coimbra, o Fórum de Comunidades Tradicionais e o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis, representam uma expressão do compromisso da Fiocruz em promover territórios sustentáveis e saudáveis, levando em consideração a diversidade epistêmica e intercultural. O intercâmbio e a cooperação internacional fortalecem esse histórico trabalho conjunto, permitindo-nos compartilhar nossos conhecimentos e aprender com as comunidades, visando a construção de um futuro mais resiliente e equitativo para as regiões envolvidas", completa Hermano Albuquerque de Castro, Vice-Presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz.


Mapa falado desenvolvido por comunidade participante do projeto: protagonismo comunitário no centro da produção e geração de conhecimento.


Cooperação histórica


Com o Centro de Ecologia Funcional (CEF) da Universidade de Coimbra (UC), a Vice Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz (VPAAPS) teve seu primeiro plano de trabalho realizado pelo OTSS em 2014, intitulado "Cooperação para o desenvolvimento de conhecimentos, tecnologias e redes para a construção de territórios sustentáveis e saudáveis”, concluído em 2017. Em 2018 houve a renovação com a seguinte ação acordada: incorporar a dimensão da sustentabilidade nas abordagens que vêm sendo desenvolvidas e/ou aplicadas nos distintos campos do conhecimento e apoiar a consolidação da Rede Ibero-Americana de Territórios Sustentáveis, Desenvolvimento e Saúde (RIA TDSD).


Em 2023, a Universidade Aberta, no Porto, sediou nos dias 2 e 3 de junho a Oficina Internacional "Rede de Cooperação Sul-Sul para o desenvolvimento de Territórios Sustentáveis e Saudáveis no contexto da Cooperação Fundação Oswaldo Cruz e Universidade de Coimbra". O evento teve como objetivo principal estabelecer uma rede bilateral entre a Fiocruz e a UC, com o foco na prototipagem de projetos territorializados de cooperação para o desenvolvimento de territórios sustentáveis e saudáveis.

A oficina reuniu representantes da Fiocruz e da Universidade de Coimbra, além de especialistas e profissionais da área, com o intuito de realizar uma análise situacional e prospectiva da cooperação entre as instituições, identificando as iniciativas existentes e buscando novas oportunidades de cooperação com a Comunidade Europeia, África e América Latina.

Um dos momentos marcantes do evento foi a assinatura do acordo de cooperação entre a Universidade de Coimbra e a Fiocruz, visando fortalecer os laços entre as instituições e promover a troca de conhecimentos e experiências no campo da saúde e do desenvolvimento sustentável. Além disso, os participantes tiveram a oportunidade de debater e pactuar os focos de ação da cooperação Fiocruz-UC, consolidando a rede de cooperação Sul-Sul e elaborando um plano de trabalho para o período de 2023 a 2028.


A experiência de cartografia social ora em curso também se articula à implementação da Universidade Intercultural dos Povos, realizada em parceria com a Universidade de Coimbra, e dos “territórios de aprendizagem” no contexto da Universidade Cooperativa internacional (LUCI), iniciativa firmada entre Fiocruz, Fórum de Comunidades Tradicionais, Universidade de Paris 8, Universidade de Coimbra, Universidade Nova de Lisboa, Universidad de Antioquia, Universidad Los Lagos e a Universidade Cheikh Anta Diop de Dakar.


O projeto tem em vista o aprofundamento de experiências de fortalecimento da autonomia das comunidades para a promoção de saúde e sustentabilidade nos seus territórios a partir do protagonismo dos movimentos sociais de povos e comunidades tradicionais, garantindo diversidade epistêmica e intercultural e contrapondo-se ao academicismo convencional comumente marcado pelo colonialismo epistemológico e extrativismo acadêmico. Pretende-se, assim, evitar também as consequências práticas desse tipo de abordagem acadêmica convencional.


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