Primeira turma do Curso de Pós-Graduação TERESA é selecionada com diversidade de público e projetos

Atualizado: 21 de Dez de 2020

Foram 118 inscritos para uma seleção de 40 candidatos que irão cursar as disciplinas da primeira edição da Pós-graduação em Gestão de Territórios e Saberes, uma parceria entre a UFF, o OTSS e o ICMBio.


Em decorrência da pandemia, aulas começam no primeiro semestre de 2021 de modo virtual.



Lançada oficialmente no mês de fevereiro de 2020, a "Pós-graduação TERESA - Gestão de Territórios e Saberes" teve seu processo seletivo encerrado em meados do mês de março e as duas primeiras turmas estão formadas para os desafios que virão. As disciplinas serão cursadas em Paraty e Angra dos Reis, e cada turma contará com 20 selecionados.


"Nós tivemos 118 inscritos, praticamente três candidatos para cada vaga, por se tratar do primeiro processo seletivo. candidatos e candidatas com muita experiência política e profissional, dentro e fora dos territórios. Além de pessoas ligadas a academia, tivemos, sobretudo, pessoas que atuam em movimentos sociais", pontua José Renato Porto, professor do Instituto de Educação de Angra dos Reis da Universidade Federal Fluminense (IEAR/UFF). Segundo ele, foi grande o desafio de filtrar os inscritos para chegar nesse número de 40 candidatos selecionados, 20 para cada município, e a turma formada está caracterizada pela diversidade (por pessoas de comunidades tradicionais, da academia, de órgãos públicos, professores etc).


A especialização pretende abordar as experiências, problemáticas e desafios do território da Baía da Ilha Grande. A Pós-graduação TERESA - Gestão de Territórios e Saberes é fruto de uma parceria entre a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) – uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Fórum de Comunidades Tradicionais de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba (FCT).


"Infelizmente ficaram muitas pessoas boas de fora, com perfil muito alinhado ao que pensamos sobre o curso, por isso é importante dizer que elas seguem no radar da Teresa, seja como próxima turma ou como público das disciplinas avulsas que poderão ser feitas pelas pessoas que não passaram, e que podem se engajar e se envolver no curso", alerta o professor José Renato. A seleção também deu prioridade aos candidatos que já estavam próximos aos territórios e acabou por priorizar os processos já em curso na região.


Adaptação à pandemia


Em vista da pandemia de Covid 19, que levou ao adiamento das aulas presenciais em 2020, o Curso Teresa desenvolveu este ano um ciclo de debates online. O primeiro encontro teve como tema "O enfrentamento da Covid-19 na região e nos territórios e a determinação social da saúde" e contou com a participação dos professores Anderson Sato, Michael Chetry, Monika Richter, Domingos Nobre, Edmundo Gallo e Ivanildes Kerexu, enfatizando o monitoramento do Covid-19 em Angra, Paraty e Mangaratiba, a situação nas aldeias da região e a ideia de determinação social da saúde.


Já o segundo encontro virtual teve como tema "Educação e saberes em tempo de distanciamento social" e contou com a participação das professoras Indira Alves França, Laura Maria dos Santos, Iaci sagnori de Mattos, Roberta Lopo Bezerra, Luiza Vilas Boas, Lucimara Marcelino, Katia Zéphiro, Laís Pimentel e Erica Mota.


Segundo decisão do Colegiado do Curso, as disciplinas começarão em 2021 também de modo virtual.


O que será pesquisado e desenvolvido?


"Ao observar o panorama geral dos temas apresentados como proposta de pesquisa e intervenção, vimos que a grande parte dos projetos aborda: Turismo de Base Comunitária (TBC), agroecologia, Unidades de Conservação, conflitos socioambientais, educação diferenciada e cultura popular das comunidades tradicionais", explica José Renato sobre as temáticas que apareceram com destaque nas inscrições.


Saiba mais sobre a pós Teresa


"O nome Teresa foi dado porque une as iniciais de Território e Saberes e poderia ser uma mera sigla no entanto resulta num nome próprio e muito forte, Teresa, com o qual podemos homenagear Teresa de Benguela, que viveu no Mato Grosso, no século XVIII e foi a líder do Quilombo de Quaritererê", conta Lício Monteiro. Ele também ressalta que Teresa de Benguela é homenageada no dia 25 de julho, dia internacional da mulher negra latino-americana e caribenha e dia nacional Teresa de Benguela. "A escolha foi muito feliz e consegue trazer significados que apontam na direção do que queremos para o curso", finaliza.



Com duração de um ano, a especialização será dividida em 4 bimestres que somam 360 horas de aulas presenciais. As disciplinas obrigatórias são: Território e territorialidades; Interculturalidade e saberes; Políticas Públicas, Estado e sociedade; Metodologias e Projeto. As aulas serão oferecidas em duas turmas, com 20 estudantes cada, sendo uma em Paraty e outra em Angra dos Reis, nas dependências das três instituições envolvidas. Ao final do curso os alunos deverão apresentar seus Trabalhos de Conclusão de Curso, desenvolvidos ao longo do ano.


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Foto: Felipe Scapino/ Comunicação OTSS

Texto: Vanessa Cancian/ Comunicação OTSS

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