Saúde, Território e Ancestralidade: Seminário em Paraty debate o futuro do SUS na Mata Atlântica
- Vinícius Carvalho
- 13 de abr.
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de abr.
Evento integra a 4ª Caravana do Bem Viver e propõe um modelo de saúde intercultural construído a partir do diálogo entre povos tradicionais, ciência e gestão pública.

Troca de Saberes sobre plantas medicinais no Quilombo do Campinho, em Paraty (RJ): seminário discute participação de povos e comunidades tradicionais para fortalecimento do SUS
O Centro Histórico de Paraty (RJ) será palco, nos dias 27 e 28 de abril, de um debate urgente para a saúde pública brasileira: o Seminário Saúde e Bem Viver de Povos e Comunidades Tradicionais. O encontro integra a 4ª Caravana do Bem Viver e representa um esforço coletivo para repensar o SUS sob a ótica da interculturalidade e do direito ao território.
Idealizado pela Vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz (VPAAPS) em parceria com o Ministério da Saúde e o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), o seminário reúne lideranças indígenas, quilombolas e caiçaras, além de gestores, conselhos de saúde e pesquisadores vinculados ao SUS. O objetivo é claro: construir caminhos para uma atenção à saúde que respeite as especificidades de quem vive e protege a Mata Atlântica.
“A saúde nos remete a uma dimensão de construção coletiva: só é possível construí-la de forma conjunta. Não podemos delegar essa responsabilidade a um único setor, esperando que a vida das pessoas melhore, ou que o SUS funcione melhor, sem abordar as questões de promoção e prevenção da saúde a partir dos territórios", explica o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz (VPAAPS), Valcler Rangel.
Governança e Emergência Climática
A abertura do seminário, na manhã do dia 27, abordará a Governança Territorial e a Emergência Climática. Em um cenário de mudanças ambientais drásticas, a mesa discutirá como a articulação entre os saberes tradicionais e o poder público pode criar estratégias de resiliência.
Posteriormente, a Mesa ‘Políticas de Equidade, Território e Organização do Cuidado no SUS’ destaca a implementação de práticas que garantam o acesso e a qualidade da saúde para todos, considerando as particularidades locais. Para finalizar o primeiro dia, serão realizadas as Oficinas em grupo, com duas opções: ‘Tecnologias Ancestrais, Sociais e Digitais para a Governança Territorial’ e ‘Municipalização das Políticas de Equidade em Saúde’, proporcionando espaços para aprofundamento e troca de experiências práticas.
Tecnologia e Saberes de Cura
O segundo dia, 28 de abril, apresentará a Mesa ‘AdaptaSUS, Clima, Saúde e Território’, explorando as estratégias de adaptação do SUS frente aos impactos climáticos e a relação intrínseca entre clima, saúde e território. Na sequência, as atividades em grupo continuarão com a Oficina ‘Governança Territorial e Redução de Riscos e Desastres’, e a Oficina ‘Monitoramento Biocultural, Saneamento Ambiental, Água e Saúde’, que aprofundarão temas cruciais para a resiliência das comunidades.
Após uma roda de conversa sobre saneamento ecológico, o seminário culminará em uma Plenária Final, na qual será apresentada uma síntese coletiva das discussões. Este documento servirá como um guia para orientar ações, cooperações e políticas públicas futuras, reafirmando o compromisso de instituições como o Ministério da Saúde e a Fiocruz com a territorialização da saúde.
Sobre as Caravanas do Bem Viver
A realização do seminário integra a programação mais ampla da 4ª Caravana do Bem Viver, iniciativa do Ministério da Saúde e da Fiocruz e do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) por meio do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), que articula ações de mobilização, formação e incidência política nos territórios.
Em Paraty, a Caravana reúne atividades abertas ao público e ações institucionais voltadas ao fortalecimento de políticas públicas, à valorização dos saberes tradicionais e à defesa dos direitos de povos indígenas, quilombolas e caiçaras. Mais do que uma agenda de eventos, a Caravana se afirma como uma estratégia de aproximação entre instituições, movimentos sociais e comunidades, conectando saúde, cultura, educação, território e sustentabilidade em um dos contextos sociobiodiversos mais importantes do país.
Para saber mais, acesse www.ots.org.br.
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