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Fiocruz e FCT realizam Caravana do Bem Viver em Paraty

  • Foto do escritor: Vinícius Carvalho
    Vinícius Carvalho
  • 13 de abr.
  • 7 min de leitura

Atividades ocorrem entre os dias 27 e 29 de abril no centro histórico da cidade, que integra o único sítio misto do patrimônio mundial da humanidade no Brasil.



“Abril Indígena na Mata Atlântica” é o tema da 4ª Caravana do Bem Viver, que ocupa o Centro Histórico de Paraty (RJ) entre 27 e 29 de abril com uma programação que combina cultura, formação e participação social. Ao longo de três dias, a cidade receberá atividades culturais, feira, oficinas, rodas de conversa, cursos e momentos de celebração para fortalecer o diálogo entre saberes tradicionais e científicos na construção de caminhos para a promoção da saúde, a defesa dos territórios e o desenvolvimento sustentável.


Idealizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) por meio do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), as Caravanas do Bem Viver constituem um movimento de mobilização territorial e articulação política entre povos e comunidades tradicionais, instituições públicas, organizações da sociedade civil e redes de pesquisa comprometidas com a promoção de Territórios Sustentáveis e Saudáveis. 


“As Caravanas do Bem Viver nos dão bons exemplos de construção de políticas voltadas para a sustentabilidade dos territórios em diálogo com as populações locais. E a saúde nos remete a uma dimensão de construção coletiva: só é possível construí-la de forma conjunta. Não podemos delegar essa responsabilidade a um único setor, esperando que a vida das pessoas melhore, ou que o SUS funcione melhor, sem abordar as questões de promoção e prevenção da saúde a partir dos territórios", explica o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz (VPAAPS), Valcler Rangel.


Esta edição é construída em estreita parceria com a VPAAPS e a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Gestão Interfederativa e Participativa (DGIP). Também integram a 4ª edição das Caravanas do Bem Viver a Coordenação Nacional de Comunidades Negras e Rurais Quilombolas (CONAQ), Coordenação Nacional de Comunidades Tradicionais Caiçaras (CNCTC), Comissão Guarani Yvyrupá (CGY), Fórum de Pescadores em Defesa da Baía de Sepetiba, Instituto de Educação de Angra dos Reis da Universidade Federal Fluminense (IEAR/UFF),  Universidade Estadual Paulista (UNESP), Colégio Pedro II (CPII), Rede Marangatu, Secretaria de Patrimônio da União (SPU-MGI), Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBIO/CNPq) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), Comitês de Bacia Hidrográfica da Baía da Ilha Grande e do Litoral Norte Paulista, ONG Verde Cidadania, Câmara de Vereadores e Prefeitura de Paraty, além de diversas unidades e programas da Fiocruz. 


“A Caravana do Bem Viver é uma iniciativa muito importante para a construção de processos que fortaleçam os Povos e Comunidades Tradicionais. Essa edição terá como tema o Abril Indígena, considerando que ocorrerá em um mês de visibilidade para a luta dos povos originários. Uma parte das atividades acontecerá nas aldeias e outra no Centro Histórico de Paraty, dois espaços de expressão cultural e de luta e resistência”, afirma Marcela Cananea, integrante do Colegiado de Coordenação do FCT e Coordenadora Geral do OTSS.


Programação aberta ao público


A Caravana do Bem Viver combina, em Paraty, momentos institucionais e formativos com uma série de ações abertas ao público, que convidam moradores e visitantes a conhecerem práticas, saberes e desafios ligados ao bem viver. Ao longo dos dias, a Caravana também promove espaços de diálogo sobre políticas públicas, proteção dos territórios e fortalecimento comunitário, além de atividades que celebram diversidade, memória e cultura.


Entre os destaques abertos ao público, está a Conferência Livre dos Povos e Comunidades Tradicionais na Agenda 2030, em 27 de abril (14h–17h), no Memorial do Paço, reunindo lideranças para construir propostas, avançar na territorialização da Agenda 2030 e eleger representação para a etapa nacional da Conferência dos ODS, que ocorrerá em Brasília (DF). 


Outro eixo de grande apelo público é o Festival Territórios Vivos, realizado pelo FCT de 27 a 29 de abril, que transforma a Praça da Matriz em vitrine de saberes e produtos do território com a “Raiz Ancestral: Feira da Sociobiodiversidade” (das 9h às 18h, todos os dias). A feira celebra a cultura, a tradição e a resistência, valorizando conhecimentos ancestrais e formas de cuidado que conectam comunidade, natureza e memória.


A abertura do Festival Territórios Vivos ocorre na Praça da Matriz na segunda-feira, 27/4,  das 19h às 20h.  Será um momento de celebração do Abril Indígena, com comemoração dos 20 anos da Comissão Guarani Yvyrupá (CGY), - principal organização de representação dos povos Guarani no sul e sudeste do Brasil -, e lançamento do livro “Gramática da Língua Guarani Mbya e Estratégias de Ensino-Aprendizagem”.


O Festival também inclui oficinas e encontros culturais abertos, como oficinas e atividades que misturam expressões populares como trança, samba e poesia (27/4, 16h–18h), além de uma programação dedicada à diversidade LGBTQIAPN+, com desfile (28/4, 20h–21h) e a Festa Arco-Íris (28/4, 21h–23h), além da roda de conversa “Vozes da Diversidade” da Frente Arco-Íris do FCT (29/4, 10h–12h). Na Casa Cozinha das Tradições (Rua Fresca, 251), o público também poderá participar de ações ligadas a alimento, cultura e sustentabilidade, como a oficina “A Juçara é Nossa” (28/4, 9h–15h) e a Aula Show “do Plantio ao Prato” da Cozinha das Tradições do FCT (28/4, 16h–18h).


Ainda na dimensão aberta e participativa, a Caravana abriga o I Ajuntório de Educação Diferenciada (29/4, 14h–18h), na Praça da Matriz, fortalecendo o debate sobre educação diferenciada e articulações comunitárias no território. A programação se encerra com um momento público de fechamento na Praça da Matriz, no dia 29 de abril (19h–20h), consolidando a passagem da Caravana por Paraty como um chamado à participação social, à valorização dos territórios e ao compromisso com políticas e práticas de cuidado conectadas à vida real das comunidades.


Nova Coordenação Geral do OTSS


Outro momento importante da Caravana será o anúncio da nova Coordenação Geral do OTSS, cuja sede é em Paraty. Aberta ao público, a celebração ocorre na Praça da Matriz, no dia 28/04, às 19h30. Criado em 2009, o OTSS é um espaço tecnopolítico de geração de conhecimento crítico, a partir do diálogo entre saber tradicional e científico, para o desenvolvimento de estratégias que promovam sustentabilidade, saúde e direitos para o bem viver das comunidades tradicionais em seus territórios. Sua coordenação geral é compartilhada pelo FCT e pela Fiocruz, por meio da VPAAPS.


Registro de atividade da Caravana do Bem Viver realizada na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro: diálogo de saberes para a promoção de Territórios Sustentáveis e Saudáveis


Atividades institucionais


Entre as atividades fechadas para convidados e/ou inscritos, o Seminário Saúde e Bem Viver de Povos e Comunidades Tradicionais: Desafios e Perspectivas do SUS na Mata Atlântica constitui um eixo estratégico e formativo da Caravana em Paraty, reunindo lideranças indígenas, quilombolas e caiçaras, gestores, pesquisadores e equipes de saúde para articular uma atenção à saúde mais territorializada, participativa e intercultural. Por meio de mesas de diálogo e oficinas voltadas a problemas reais dos territórios, o encontro debate temas como a governança territorial frente à emergência climática, as políticas de equidade que respeitam as especificidades cosmológicas de cada povo e o papel da educação popular e da saúde digital no fortalecimento do SUS.


Já o Tekoha Reko Porã, na Aldeia Boa Vista, é uma ação voltada à celebração do Abril Indígena e ao fortalecimento da identidade Guarani Mbya, conectando a juventude à ancestralidade. Por meio de oficinas de manejo, artesanato e saúde, a iniciativa reafirma o modo de vida tradicional como base essencial para a promoção do Bem Viver e da autoestima comunitária. É a segunda edição do projeto –realizado pela parceria entre o Instituto Oswaldo Cruz (IOC), a Vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz (VPAAPS), o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), a Fiocruz Mata Atlântica, o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICTB) da Fiocruz.


Por sua vez, a Reunião Municipal da Estratégia TAUS de Regularização Fundiária, realizada em parceria com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) do Ministério de Gestão e Inovação (MGI), promove a articulação entre comunidades e órgãos públicos para garantir a proteção jurídica de territórios ocupados em áreas da União. A atividade foca em mecanismos institucionais que fortaleçam o direito à terra e a permanência das populações tradicionais em seus territórios de origem.


O Curso de Turismo de Base Comunitária (TBC), construído com o protagonismo da Rede Nhandereko do FCT, também é outro destaque da Caravana, articulando jovens e adultos de povos tradicionais para gerir iniciativas turísticas sustentáveis que valorizem seus saberes locais. A formação fortalece a autonomia das comunidades da Bocaina e do sul fluminense, aliando a preservação cultural à geração de renda.


Por fim, a Oficina Preparatória do II EITS organiza as bases metodológicas e os eixos temáticos para o próximo Encontro Internacional de Territórios e Saberes. O encontro planeja a integração global entre conhecimentos tradicionais e científicos para a salvaguarda da biodiversidade e a defesa dos direitos territoriais.


E, no dia 30 de abril, acontecem a oficina “Não existe patrimônio sem nós” para a construção da Carta do FCT com recomendações de salvaguarda do Sítio Misto Paraty e Ilha Grande; e a Oficina de Planejamento do Programa Nacional de Regularização de Embarcação de Pesca (Propesc), reforçando o protagonismo de povos e comunidades tradicionais na gestão do Patrimônio Mundial e na defesa de seus direitos, saberes e modos de vida.


Sobre as Caravanas


Até a realização do II EITS, caravanas passarão pelo Rio e por 7 municípios que integram a área de atuação do OTSS (Fiocruz + FCT).


Inspiradas nas lutas do povo em suas romarias e caminhadas, as caravanas ocorrem Brasil afora nos mais variados formatos e objetivos. Em geral, envolvem metodologias de mobilização baseadas em ações territorializadas e organizadas em diferentes rotas, o que permite a realização de atividades simultâneas que se complementam e convergem entre si.


No caso da Fiocruz e do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), as Caravanas do Bem Viver se colocam também como uma resposta à ampliação da equipe e das ações do OTSS desde 2020, quando a organização se tornou um programa institucional da Fiocruz e ampliou sua atuação para um total de sete municípios: Mangaratiba (RJ), Angra dos Reis (RJ), Paraty (RJ), Ubatuba (SP), Caraguatatuba (SP), São Sebastião (SP) e Ilhabela (SP).


“A realização das Caravanas do Bem Viver é uma estratégia fundamental para a nossa aproximação ainda maior ao território. Além disso, ela responde a uma demanda estratégica da Fiocruz, definida em seu Plano Plurianual, que é de aproximar a instituição dos movimentos sociais e aprofundar, com eles, as discussões sobre desenvolvimento e sustentabilidade”, explica Edmundo Gallo, Pesquisador Titular da Fiocruz e Coordenador Geral do OTSS.


Ao todo, as Caravanas do Bem Viver passarão por oito municípios: Angra dos Reis, São Sebastião e Caraguatatuba, Rio de Janeiro, Mangaratiba, Ilhabela e Paraty e Ubatuba. O percurso culminará com a realização, em setembro de 2027, do 2º Encontro Internacional de Territórios e Saberes, evento que reunirá pesquisadores e lideranças comunitárias de diversos países para a articulação de estratégias conjuntas para a promoção de Territórios Sustentáveis e Saudáveis (TSS) por meio do diálogo entre saberes científicos e tradicionais.


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